sábado, 29 de dezembro de 2012

Inspiração


Vai e vem como o tic-tac de um relógio de pêndulo.
Te deixando louca e extasiada
Como quando se está apaixonada.
Às vezes te tira o sono, às vezes faz você adormecer contente.
Pobres artistas, que são fascinados por essa sede doente.
Difícil quando ela se vai,
Quando sai sem lhe dar uma explicação!
Espetacular quando retorna
Te trazendo a paz, a quietação, talvez.
Pode ser que venha com fúria
Pode ser que venha com serenidade.
Inspiração.
Momento de bipolaridade.


Jessika de Sousa Macêdo.

sábado, 20 de outubro de 2012



Te procuro em meio a escuridão
De uma noite sem luar.
Guiado pela luz das estrelas
Tento encontrar o seu olhar.
Olhando para o céu e observando as nuvens
Vejo formas que se assemelham com as suas.
Formas bem desenhadas e perfeitamente esculpidas.
Nuvens que gostaria de navegar, de tocar.
Fecho os olhos e sinto as gotas de chuva
Que começam a cair em meu rosto.
Gotas escorrendo para a minha boca, sentindo
A doçura de teu beijo, a maciez de teus lábios, de tua pele.
Garota, onde estás agora?
Preciso do abraço e beijo teu.
Sentir o teu cheiro de pertinho
A tua pele encostando-se à minha.
Garota, não me diga adeus!
Quero ainda te sentir.
Quente e úmida. Fria e seca
Da maneira que estiver.
Sentir o teu cheiro de pertinho
Teu corpo rente ao meu
Sentir o gosto do teu beijo
A maciez de teus lábios
Garota, quero te sentir.

Jessika de Sousa Macêdo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Futebol

Estádio lotado, pessoas eufóricas, torcidas gritando querendo ver seu time campeão! Jogadores com sede de vitória, correndo atrás da bola, querendo fazer um gol!
Final do jogo, juiz apita indicando o time vencedor!
Arquibancadas tremendo, mostrando a emoção das pessoas com o resultado dado.
Na saída, torcedores saem como bois quando avistam a porteira aberta.
Alguns saem lamentando ou comemorando o resultado dado pelo juiz.
Alguns vão pra casa com suas famílias, outros, para os bares e outros para as ruas criar confusão.
Os ganhadores, em sua eufórica comemoração, se sentem os donos da rua. Fazendo bagunça e causando poluição sonora.
Os perdedores, vão para as ruas expressar a indignação de um resultado negativo, reclamar que o juiz é ladrão e que o jogador, um cagão.
O engraçado é que as pessoas brigam por algo que não faz tanta diferença na sociedade. A única diferença que traz, é na conta bancária de quem esteve no campo, correndo atrás da bola, e dos demais envolvidos no jogo (juiz, bandeirinha, treinador, patrocinador etc).
Reclamam chamando o juiz de ladrão, vão até às ruas brigar por causa disso, e não são capazes de o fazer quando acontece o mesmo com o dinheiro público. Esse que um dia esteve em sua conta bancária e que está sendo mal administrado.
Vejo valores sendo invertidos. Pessoas dando importância maior a algo não tão importante.

Poderiam imaginar um jogo diferente:
Os jogadores poderia ser o trabalhador. O bandeirinha, vereador. O juiz, o prefeito. E o torcedor, toda sociedade.
E então o jogo começa. O juiz apita o início de um novo jogo:
Os jogadores correm atrás da bola (trabalham), tentando fazer um gol (ganhar o salário).
O bandeirinha, que foi comprado, marca uma falta (errada) para o time azul. O juiz confirma a falta, deixando o time amarelo em desvantagem. E nesse ritmo prossegue o jogo. No final, saindo o time amarelo como perdedor e os demais ganhando algo por trás de tudo. Um jogo injusto e comprado.
Dessa forma, fazendo a torcida se indignar e irem às ruas reclamar. Esse final seria mais interessante, com a sociedade indo brigar por algo importante, por algo justo, por um bem comum...

Jessika de Sousa Macêdo.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Diferente.

Eu sempre fui a pessoa do grupo que não se encaixava muito bem. A maioria das minhas amizades eram do jeito que todo pai queria que fosse: responsáveis, educadas, estudiosas, sensatas, certinhas, que vão crescer na vida com muito empenho. Se eu dissesse alguma coisa meio fora do normal, já recebia olhares de estranhamento, uma admiração negativa. Tentei sempre me adaptar pelo menos ao mínimo. Aliás, creio que cada um tenha sua personalidade e se 'desandou' foi porque sempre foi assim, mas ainda não sabia. É como estar no sangue. Mas o que eu ganharia sendo diferente? Reprovação, exclusão talvez? Inconscientemente isso até aconteceu, essa adaptação forçada se tornou monótona demais. Mesmo me contendo, ainda assim tentaram me consertar, mas não havia o que arrumar, pois eu sou isso. Sou meus atos, minhas ideias, sou meu jeito, sou meus erros. Minha mente funciona diferente. Minhas ideias são opostas e sim, claro que posso mudar, mas valeria a perda da minha identidade por isso? Já ouvi muitas vezes que tenho potencial e que com minhas atitudes jogo isso fora, mas será mesmo? É claro que precisamos de esforço para chegar a algum lugar, mas sobrepor isso à sua felicidade é um erro. A vida é tão curta, pra que se colocar a mercê da sede de engrandecimento? Mas retomando, as pessoas ao redor percebiam que me sentia de certo modo deslocada, mas eu precisava me adaptar e elas tentavam fazer com que isso acontecesse e felizmente não deu certo. Até que, com o passar do tempo, achei algumas poucas pessoas parecidas comigo, com meu eu de verdade. E foi aí que percebi que não havia nada de errado e meti o foda-se. Foi aí que percebi que a opinião dos outros em relação a mim era irrelevante e que deixar transparecer quem você é, independente dos pensamentos alheios, era a melhor coisa a se fazer. O que pensam de mim é uma coisa e o que realmente sou, é outra. Ser assim não significa que sou ruim, que não estou me importando com nada e muito menos que não presto ou coisa similar. Tendem a misturar essas coisas e, se não conseguem discernir isso, não faço questão de ter por perto. Ainda querem me mudar. Acham que sabem o que é melhor pra mim e não me sinto mal, pois geralmente assim estão querendo meu bem e, se ainda querem mudança, é sinal de que estou fazendo a coisa certa. Sendo apenas eu. 


sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?"

Que razão há nisso tudo?
Que coerência há no amor?
Será que só os loucos amam?
Ou será que o amor é louco?
Será que somos todos loucos por querer amar?
Será que o amor é uma utopia?
Ou será que nós é que somos a utopia?

Jessika de Sousa Macêdo.

domingo, 3 de junho de 2012

Vozes, ouço vozes a todo momento.
Vozes de ordem,
Vozes angelicais,
Vozes que me deixa confusa e angustiada.
Vozes que dá vontade de fugir,
De me esconder,
De começar uma nova história em outro lugar.
Mas ao mesmo tempo,
Vozes que me confortam,
Que me trazem a consciência com insanidade.
A consciência da insanidade.
Vozes que não se calam,
Vozes que não descansam,
Que estão a todo instante
E insistente em me lembrar
Quem eu sou,
O que eu quero e não quero,
Do que sou feita,
O que levarei e não levarei.
Insistente em me fazer gritar
Quem eu sou,
O que quero e não quero,
Do que sou feita,
O que levarei e não levarei.

Estou sentindo os dias mais pesados,
Mais angustiantes e claros.
Sinto-me mais cansada,
Mais irritada,
Mais sozinha.
E as vozes persistem em interferir.
Interferem em meu silêncio,
Em meus questionamentos deixados de lado,
Interferem em tudo.

Vozes, vozes que sussurram todos os dias.
Sinto a pressão de cada dia.


Jessika de Sousa Macêdo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Caixa



Hoje ganhei uma caixa toda enfeitada
E amarrada por uma fita de cetim
Com meu nome nela.
Feito em letras douradas e caprichosas.
E dada por mãos de um alguém especial
Que disse para apenas abrir
Quando estivéssemos a sós.
Eu e a caixa.
Curiosa, não consegui me conter.
Cheguei em casa e desamarrei a fita.
A caixa no meu colo parecia esconder um tesouro.
Na medida em que levantava a tampa
E que a claridade envolvia a escuridão,
Tentava desvendar o que se escondia no fundo.
Me senti como um pirata quando encontra um baú recheado de ouro.
Quando finalmente abri, a surpresa tomou conta.
A caixa enfeitada escondia um livro de capa dura
E já desgastado por conta do tempo.
Escondia um tesouro, cheio de memórias,
De histórias vividas e sonhadas.
A caixa levava aquele conjunto de folhas que continha
Letras, palavras, frases preciosas
Narrando a memória de um alguém.
Memória que não ficará perdida no tempo.
Memória externada, registrada, lida, que poderá ser contada.
Ser repassada por gerações.
Memórias que não morrerão com o autor.

Jessika de Sousa Macêdo.

terça-feira, 20 de março de 2012

E continua esse vazio aqui.
Nada consegue preencher.
Vendo coisas passarem por mim
E não podendo nada fazer.
O alívio imediato que conseguia
Quando escrevia, não possuo mais.

Parada na frente do caderno com linhas em branco
Assim tem sido minhas tardes.
Há semanas não consigo escrever.
Pensamentos paralisados,
Sonhos confusos,
Desejos abafados,
Imaginação bloqueada.
E o caderno continua branco,
Sem vida,
Sem história.

Batendo a caneta na mesa,
Tentando fazer com que as ideias e sentimentos tomassem forma.
Como se isso fizesse com que eles
Viessem em palavras desenhadas através dela.
Mas a única coisa que consegui
Foi acordar meu irmão que cochilava.

Jessika de Sousa Macêdo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Indícios de Paixão



E assim iniciou-se a paixão.
Olhares fixos, olhares penetrantes
Em busca de uma confirmação.
Pupilas dilatadas, voz tremula e uma palpitação mais forte,
Fazendo-se assim, a confirmação.

Olhares fixos, olhares serenos
Olhares que não conseguiam mais serem desviados.
Um sorriso aparecendo e o brilho no olhar intenso
Eram mais dois seres apaixonados.

Não se sabe quanto tempo durará
Não se sabe nem como será.
Sabe-se apenas o quanto esse sentimento prende
O quanto esse sentimento faz agir por impulso
E o quanto ele faz as pessoas sentirem-se mais vivas, com entusiasmo.

Deixando a dúvida de lado, e se entregando a este sentimento,
Que nasce do encanto e leva ao sétimo céu.
Que às vezes é transformado em amor
Às vezes, transformado em ódio.
Mas, enquanto é vivenciado, deve-se aproveitar,
Desfrutando de cada instante
Vivendo cada momento intensamente.
E deixando o resultado pra depois.

Jessika de Sousa Macêdo.