- O caminho sinuoso do pensamento. Fogo e água ao mesmo tempo. Bifurcações. -
Me perguntei esta semana se isso seria possível. Não saberia responder. Fui então pesquisar o que era sabático para ver se era próximo ao que estava buscando. O que mais encontrei foi referente a descanso, a suspensão de atividade regular. Ok. Fui então procurar o que é descansar. E dentre as inúmeras opções, tinha o ‘livrar-se da sensação de fadiga’, ‘acalmar’. Ok. É possível tirar um período sabático estando ainda na rotina de trabalho, cuidados com a casa e companhias..? De forma real? Sem fantasiar? Sem fugir?
Um pouco antes dessa pergunta surgir, percebi que estou/estava em um turbilhão, indo a lugar algum, em meu julgamento. Até que parei e fui tirando alguns excessos da rotina que me faziam cair nesse lugar e junto a isso, a pergunta: quem eu sou sem ‘issaqui’?
[A exemplo desses excessos, algumas redes sociais. E aqui não é colocando a rede social como vilã. O início delas, dentro da minha bolha, era mais para partilhar coisas aqui e ali com conhecidos e amigos, conhecer (conversar) com as pessoas. Passei o início da minha adolescência um pouco nelas. E uma parte, descobrindo sobre mim nelas também (perigoso, eu sei). Porque a realidade fora dali se mostrava perigosa - fisicamente - para como vivo (sim, estou falando de sexualidade e talvez outras coisas, como espiritualidade). Mas hoje..rede social não é mais isso. Não está mais nesse lugar apenas. E aqui também não é fantasiando como antes era melhor e nem nada disso. Só estou observando que o lugar que mudou. Já não é mais tão possível habitar nessas redes. Fui então olhar como era quando habitava lá e a vida física. Percebi que fazia um tempo que parte de mim deixou de habitar a vida física. Talvez por essa construção e medo inicial em achar que não podia habitar. (sim..parece que estou divagando..voltemos) Foi um pouco daí que veio a pergunta: quem eu sou sem ‘issaqui’? ]
Sem esses excessos que me camuflam, que me cansam? O que sobra disso? Sobra algo? E essas perguntas vieram me acompanhando por alguns dias até que: É possível tirar um período sabático executando ainda as atividades necessárias do dia-a-dia?
Me parece até um pouco leviana essa linha (nada reta) de raciocínio. Quando falo sabático, falo em mergulhar nessas perguntas. Viver essas perguntas. ‘Livrar-se da sensação de fadiga’ me parece ser o possível dentro da realidade..por isso a dúvida em relação a possibilidade. Ou talvez a pergunta esteja ‘errada’..
O que percebo, é que se não se vive em uma comunidade - e aqui também não é fantasiando essa escolha de vida, como se não existisse conflito -, existe a possibilidade de mergulhos periódicos (o que no momento não estou podendo fazer) em espaços mais seguros para se viver algo que acredita - ou próximo. Como retiros, grupos religiosos, viagem com pessoas amigas..mas algumas coisas que descobrimos e começamos a construir parece se perder ao sair desses lugares. Pouco depois de voltar da minha última vivência em algum desses lugares (o que já faz bastante tempo), me veio um pouco desse questionamento..se seria possível seguir vivendo essas descobertas. Suspeitava que não ou que seria algo quase hercúleo (pode ser falha em alguma base? pode. pode ser questão de classe? pode. pode ser questão de coragem? também pode..ou outras coisas). Talvez a minha pergunta nem seja se é possível tirar um período sabático e etc., mas se é possível se conhecer, hoje, em meio a essa loucura externa do dia-a-dia, se enraizar e se levar a qualquer lugar sem medo..
Talvez eu esteja querendo muita coisa..

Nenhum comentário:
Postar um comentário