sexta-feira, 4 de junho de 2021

Mergulho

Nada
Nada até mim
Ultrapassa todas as suas conclusões
e me veja além delas
Estou ali
logo ali
Nada mais um pouco
se aproxima
e me veja além
de todas as suas bagagens
Me conheça
Me reconheça
Aproxima
meu íntimo e o seu
meu coração e o seu

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Dizeres

Vácuo.
Buraco.
Distância.
Palavras que se desfazem antes de chegar ao
Destino.
Uma conversa incomunicável
Regada a sofrimentos do passado
Que não passaram.
Estão nas palavras
Vivas
Com vida e
Barram
A
Mensagem.
Que não chega.
Chega!
Chega.
Se achega
Só mais um pouco.
Pode ser devagar
Para não machucar.
Ei, mas deixa eu te falar.
O sofrimento não é real.
Me escuta só um pouco.
Deixa eu te explicar.
Só um pouco.
Estava aqui pensando nesses dizeres
Da dor.
Mal-entendido.
Dizeres não entendidos.
Vamos olhar esse borrão
Falar mais claro
Mais reto
Papo reto.
Que acha?
Ei, só vou.
Se você vier também,
Não sei se enxergarei.
Solta um grito.
Me diz.
Vem.
Vai.
Para.
Grito daqui também.
Só para e tenta me escutar falar.
Estou aqui
Tentando também te
Escutar.
Vamos colocar a voz no
Lugar de
Farol?

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Delírio Político

aparência
o trono
a cadeira
aquele que seguimos
aquele que nos representa (?!)
representa em quê e para quem?
representa para quê?
uma boa imagem aqui
sorrisos *flash*
preciso de outra aqui
pose
mais flash.
a barragem!
o fogo!
o ar!
que barragem?
que fogo?
que ar?
preciso de dinheiro
talvez uma publicidade
preciso de uma imagem
que acreditem
que comprem ela.

vidas vão ficando para trás
continuamos a correr atrás de vida
(ou da vida?)
ninguém para
nada de parar
ei, só um minuto.
posso respirar?
.
para onde você está indo?
está correndo de quê?
de quem é aquela imagem?
e aquele lugar que tem nela?
é de verdade?
onde você vive?
como você mora?
e-eeeei, para onde você vai?

(inspiração: rompimento das barragens, queimadas, George Floyd, Covid-19)


Jessika de Sousa Macedo

A grande fantasia

O outro não é real
Eu não sou real
E ainda assim sou eu.
O outro existe a partir da projeção
do meu olhar.
Eu existo a partir de uma miragem
no deserto.
Quando toda areia escoaria e ficaria
o nu?
A terra nua
Despida de toda fantasia.
Me dá um pouco de água
Para recobrar os sentidos,
Sair do febril,
Acordar desse delírio.
Aos poucos recobrar os sentidos.
Voltar à realidade daquilo que somos.
Oi?
Não te escuto direito.
Oi!
Ainda a vejo em bor-rão-((Olá)).

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Dançando

O outro me interessa
O outro me instiga
Quero saber desse, dessa
Me aproximar
Perguntar
Dançar
Saber
Ver
Olhar
Me mostrar.
Às vezes parece que sou agressiva
O meu revelar é agressivo.
Me calo.
Faço calo na garganta
Não posso dizer.
Não posso.
Que me dizem.
Só quero dançar.
Você entende o que digo?
Não quero seu corpo,
Seu CPF.
Quereria estar junto
Quereria estar separado.
A dança tem disso.
Por que não podemos falar sobre a música que está tocando em alguns momentos?
Por que é agressivo dizer que está rápido demais ou devagar para mim no momento?
Quereria saber como está para você também.
Entender
Ajustar, se for o caso.
Poder decidir se posso acelerar o passo
Poder dizer que não posso.
Poder escutar a sua decisão.
Deixar agradável para ambos.

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 11 de outubro de 2020

As pessoas vivem
pedindo que sejamos sinceros
para dizermos o que sentimos
e quando falamos
fogem,
desconversam,
te fazem de louca,
diminuem.
É o registro que tenho.
Acho que sempre esperei demais
talvez tenha valorizado demais
as coisas que sinto.
Só queria que fossem sinceros também.
Hoje eu que faço isso com meus
sentimentos.
Fujo,
desconverso,
faço de loucos,
diminuo.
Para que não fugissem.
Mas me pergunto que tipo de relação
é essa?
Se é que pode chamar isso de relação.
Só queria poder voltar a sentir.
Conversar de verdade e
não me sentir idiota, louca.
É, talvez esteja valorizando demais
o que sinto. 

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Fogo! Socorro!


(Foto de Bruno Kelly/Amazônia Real/2020)

Veja só esse cenário
Um céu nublado
Um céu estranho
Um céu cinza.
É fumaça que vem de longe
É calor sentido de perto.
E o fogo só cresce
A destruição também.
Desespero do bixo.
Bixo homem que invadiu seu lar.
Floresta que um dia já foi
Hoje quase já não é.
E o que sobra?
Cinza..

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 23 de agosto de 2020

Dance

Dance
Dance
Dance
Sim, esse último em inglês
pronunciado com vontade.
Igual quando o corpo quer falar
e você deixa.
Sai cantado.
Sai gozado.
Sai e apenas sai
como precisa ser.
Viver.
Experimentar.
Você já experimentou hoje?
O quê?
Qualquer coisa que queira.
Já?
Não?
Então vá.

*P.S.: qualquer coisa não envolve invadir o outro. Não envolve invadir o espaço do outro, ferir o outro.*

Jessika de Sousa Macêdo

Tenho tudo em seu lugar

Emprego - ok
Casa - ok
Vida social - ok
Família - ok
Ok
Mas ok para quem?
Ok, não sei.
Você está ok?
Não, ok!
Mas tá ok por enquanto que não fica ok.
Pra você?
É, para mim.
Ok.
Ok!

Jessika de Sousa Macêdo

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Viajante

Caminho
Caminhada
Caminhar.
Me lanço na estrada pelos caminhos que sinto de ir.
Nem sempre acerto no sentir.
Nem sempre acerto no momento.
Me lanço no caminho
E vou no descobrir dos passos dados
Se o percurso tem a ver comigo.
Se o percurso tem a ver com o momento.
Às vezes sim.
Às vezes não.
Às vezes se torna necessário.
No caminho vou descobrindo.
No caminho vou me encontrando.
O caminho me mostra pessoas maravilhosas
Que vão sussurrando.
Feito vento trazendo notícia boa.
Feito vento direcionando o
Caminho
Caminhada
Caminhar.


Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 23 de abril de 2020

venho tentando ser uma pessoa melhor
olho para isso
olho para aquilo
tem ali também
mas e o que quero?
mas e o que me desperta felicidade?
mas e o que sou de verdade?
simplicidade
complicação zero
nada
sentir
transpirar
transparecer o sentir
é aí que me encontro
é aí onde estou
pronta
para ser
e o que me impede de ir até esse lugar?
que busca de perfeição é essa?
ilusão
medo
retrai
tudo se esvai
pela palma da mão
pela pontas dos dedos
achei que estivessem em sua cintura
firme
segura
segura?
quem segura essa onda?
ela vai para onde quer
ela quebra onde der
ser
ser mar
ser maresia
ser ondas
ondas de emoção
respiração
inspira
segura
solta
se solta no meio

Jessika de Sousa Macêdo

domingo, 19 de abril de 2020

Ninguém

Seguindo padrões
Para não perder a linha
Para não perder o fio
da meada.
Só se for da meia boca
Da meia vida
Da metade vivida.
E a outra metade?
Onde fica?
Padrões emparedam
Prendem
Abafam
Isolam
Aprisionam.
Prisão de quem?
Quem te colocou aí?
Alô! Tem Alguém?
Ecos
Têm ecos.
Ninguém.
Mas quem te colocou aí?

Jessika de Sousa Macêdo

domingo, 12 de janeiro de 2020

Freedom! continuação..

Às vezes ainda acho que estou dentro da gaiola
Não estou, mas é como estivesse
Talvez as sensações de medo, de estar sendo vigiada, de não poder voar
Tenham ficado registradas em meu corpo
Talvez meu corpo ainda pense que estamos
No espaço apertado
E não podemos respirar direito
Ele ainda não enxergou que é livre
Que podemos de verdade sair por aí sentindo a brisa nas penas
Talvez ele não sabe o que fazer
Mas é só fazer o que se quer, querido corpo
Você é livre!

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Trilhas

O trem da vida
Seguindo seu caminho distraído,
A rota habitual
Passando pelos trilhos.
Na estação seguinte para.
Mais pessoas entrando,
Mais pessoas saindo
E dentre tantas pessoas, uma delas parada, maravilhada e assustada
Sem muita certeza se embarcaria.
Tenho que seguir, a vida não para
Mas posso a esperar mesmo em movimento.
Chego novamente à estação e a encontro
Diferente. Ainda linda e maravilhada e mais assustada.
Acho que ainda não é dessa vez.
Parto novamente sem ela.
Quem sabe na próxima não esteja assustada?
Quem sabe na próxima embarque?
Ou quem sabe na próxima decida ir a outra plataforma?
Enquanto isso, o trem da vida vai passando pelos trilhos,
Seguindo seu caminho,
Agora atento a vida,
Atento a moça,
Aguardando-a decidir.

Jessika de Sousa Macedo

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

23 de maio de 2019

Ando pensando sobre o vestir camisas de partido, chapas, pessoas. Sinto que hoje as pessoas se esquecem do que realmente estão defendendo e pessoalizam as questões que deveriam ser coletivas. Esquecem do todo, da causa de forma geral, seccionando as questões, indo para os frutos e não para a raiz.
Sinto que os caminhos precisam ser diferentes. Essa política e militância de separação podem até ter avançado, mas e as consequências e sequelas que vêm deixando direta e indiretamente em quem participa e em quem se omite? A gente percebe dentro de próprias frentes, como por exemplo, o feminismo. Cada um entra em seu próprio quadrado e esquecem de olhar para o todo, que todos estão defendendo a mesma causa maior e segrega ao invés de unir. As diferenças não deveriam ser motivo para afastar e sim para entender, compreender, acolher. Que tipo de política temos feito? Onde um grupo pequeno escolhe pelo todo? Como que eu, no meu lugar, com minhas vivências tenho poder para ditar o que o outro deve ou não fazer?
Sinto sim que é necessária a separação desses grupos para a construção de suas fragilidades e querências. Até porque eu posso falar como mulher, de classe média, não heterossexual, mas não tenho como falar no lugar da mulher da periferia. Posso ter conhecimento das causas dela, defender, falar sobre, mas não posso falar no lugar dela. E essa separação é a oportunidade para construção mais completa, menos desigual de uma sociedade. Mas atualmente o que acontece, até mesmo nos espaços de defesa dessas causas, a separação e busca da pauta “mais importante”, apenas da pauta pessoalizada.
Não que eu não reconheça a luta construída até aqui. Mas também sinto que esse formato de hoje é arcaico. Separatista. Frágil e adoece muita gente. Ele não é eficaz, eficiente. Ele é lento e sofrido. Deixa sequelas. E as grandes corporações, políticos etc., já sabem lidar com a nossa forma de fazer política. Talvez por isso a direita, o patriarcado tem crescido e conquistado e está cada vez mais forte. Porque modificaram a forma de fazer política deles. 
Foi necessário em tempos atrás! Foi preciso o embate, o enfrentamento mais duro. Até porque quem esperaria de oprimidos tamanha força, valentia, resistência? Hoje os maiores modelos de opressão são outros. As opressões são as mesmas, mas feitas de forma diferente. Os opressores inovaram e quem recebe a opressão não. Como acabamos com a nova forma de fazer opressão agindo de forma igual?
Será que não é o momento de repensarmos também a nossa forma de fazer política? Repensarmos a nossa forma de conversar com os jovens? Dar a oportunidade deles de fato assumirem, construírem, estarem a frente, trazendo as novas ideias e nós, dando o apoio que é necessário nesse momento de construção?
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Talvez a forma de política esteja falida por comodidade nossa. Em acreditar cegamente em uma construção de ideias e forma de debater e não parar para reolhar o que já havíamos avançado. O que precisaríamos modificar. Essa ideia de se apegar a um modelo é (talvez) falido. Não nos culpemos também. Talvez fosse o medo de inovar e regredir. Voltar a sofrer retaliação. Mas talvez esse seja o caminho - o da mudança. Acredito muito nessa juventude que vem fresca, sem os medos que tínhamos. Nossa luta foi válida! Temos todo o crédito por tudo que foi construído até o momento, mas não pensemos que essa juventude não tem a capacidade de fazer mais. Não tememos em inovar. Deixemos que assumam, como assumimos. Não seguindo os mesmos passos, até porque os tempos são outros. Mas deixemos que tomem os rumos do hoje. Hoje, acreditamos que somos sábios, mas sabedoria também é deixar o outro assumir. Passar o bastão. Orientar e não dizer o caminho que devem seguir. Afinal construímos para nós e para eles e eles têm o mesmo direito para tal. Sabedoria talvez seja dar coragem, incentivo para que façam e façam da maneira deles. Como disse. O passado não é desimportante e ele deve ser olhado e reverenciado. O passado nos mostra também como não agir, talvez. Ainda tenho fé nessa humanidade e nessa palavra que carregamos aqui nesse planeta. Humanos. Talvez estejamos buscando nos sentir pertencentes a essa grande categoria que é tão peculiar, particular e diversa. Seres humanos. Ser humano. Que sejamos então! E que a nossa grande luta seja sempre o bem de todas as espécies!

Jessika de Sousa Macedo