domingo, 10 de abril de 2022

Lugar pra amar

Você tem cheiro de um amor gostoso.

De um peito-casa lar.

Desses que a gente chega e quer se demorar.

Onde as paredes acolhem

Gargalhar

              Chorar

                      Gozar

                             Brincar

                                      Atritar

                                            Cuidar.

Ecoam                        (((        amar.       )))

                                                    A.Mar-ia.  



Jessika de Sousa Macedo 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Socialmente ɔoɹɹǝʇo

Esse mês tem sido o mês das saudades
Do me relembrar,
Em outros momentos, de como
Viver diferente.
Que quase ficou nas memórias esquecidas
Da infância.
Olhando para trás,
Reconheço.
Reconheço a sobre-vivência
Cega
Instintiva
Visceral.
Passando por experiências,
Lugares,
Pessoas,
Observando,
Aprendendo,
Servindo o
Coração
Puro.
Que se fechou em algum momento
De tão doído
Moído
Nessas andanças de passar sem
Ter uma guiança,
Um farol,
Uma luz que clareia o caminho.
Uma mão que orienta 
O que "passarei" (ou poderei "passar")
Pelos ciclos.
Nesses momentos de mudanças
Distanciadas de sentir
De ver
Encobertos pelas novas demandas.
Várias luzes,
Várias luzes que ia encontrando e
Observando e
Escutando e
Aprendendo e
Sobrevivendo e
Vendo e
Reconhecendo e
Vivendo.
A cada um
A cada uma
O meu
Agradecimento.
Por esses tempos,
Sobre-vivendo no
Avesso.
Caminhando por onde não
Me reconheço,
Reconheço e
Me reconheço.
De um outro jeito.
Passando em mim
Experiências observadas, antes, fora
Agora dentro.
Culpa-dor-confusão-medo-rejeição-nojo-julgamento-exclusão.
Quase me exclui por uma mente no estado
Instável.
Quase me exclui por não observar os ciclos da vida.
Quase quis me perder no mundo
Sem direção,
Sem sentido,
Sem sentir.
Quase quis excluir minha outra metade.
Quase quis me petrificar.
Hoje,
Diante de tudo.
Olhando para essa história
- Sem o juiz -
Para o que aconteceu.
Vejo semente,
Vejo caminho,
Vejo escolha,
Vejo reconhecimento,
Vejo acolhimento
Vejo estrada pra caminhar
E me vejo,
Me vejo mais de perto. 

Que viagem, viu.

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A vida em seu grande mistério
Linda
Viva.
Tem me trazido de volta
Para a apreciação
Para o encantamento
Para os detalhes
Que fazem minhas narinas abrirem
E pupilas dilatarem.
Para tudo
Que aqui existe.
Que saudade que estava desse lugar.
Que saudade que estava desse estado.
Que saudade que estava dessa forma
De estar aqui.
O mistério tem me deixado novamente
Curiosa.
Ainda cuidadosa.
Não mais de receio.
Cuidadosa
Pela beleza e preciosidade
Desvendada.
O cuidado daquele que ama.
Que saudade que estava disso.

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 30 de janeiro de 2022

Graça

Música: Ver em cores (Rashid part. Liniker)


ando tão esquisita
vivendo uma vida sem sentido interior
sem sentido prático, vivido.
incompreensivelmente os dias têm passado
quase me levando pelo seu vento ligeiro
e eu com os pés fincados no chão 
vendo tudo passar
a me balançar de um lado para o outro
os joelhos a se dobrar e quase cair no chão.
levados pelo vento ligeiro que passa.
passa
estranhamente como essa vida dentro.
fora, tudo acontecendo normalmente em
seus ciclos.
dia-tarde-noite.
primavera-verão-outono-inverno.
inferno
que se demora aqui.
invernando nesses dias solares
que me derretem deixando sem forma,
esquisita.
por não entender o que se passa.
vivendo o outro lado da moeda.
um novo olhar.
quase presa em cara
estática para a fotografia que vai se
desbotando com o passar dos dias.
dos ciclos de dentro
que começam a ser reconhecidos por aqui
também.
uma forma desagradável que atuo na vida.
bruta:
com a lança em riste.
a ponto de ferir alguém 
(se é que não feriu).
*susto*
rígida:
ao me perceber querendo viver 
dentro de um quadrado 
estático. 
*risos e mais risos*
desarmada com o susto e riso do ciclo 
bruto,
rígido
percebido.
enquanto olho para as mãos.
enquanto olho para frente.
me desarmando com observação,
bom humor.
desavexando,
seguimos.

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 26 de dezembro de 2021

Vida

O que percebo é que há vida pulsando 
incessantemente dentro 
e essa vida tem vida própria. 
Ela não para e não inicia 
ao passar por lugares e pessoas. 
Ela está ali, 
disponível, 
exposta. 
Passando. 
E esse corpo que faz parte dela 
experiencia sensações, trocas, outras vidas. 
Percebo que tenho vontade de mostrar 
meu mundo inteiramente para algumas pessoas. 
Percebo que posso mostrar a qualquer pessoa. 
Não há verdadeiramente algo a temer 
nessa história que meu mundo conta. 
É uma história como outra qualquer. 
E me vejo querendo compartilhar 
esse mundo com alguém. 
E me dou conta então que isso 
poderia acontecer com qualquer ser, 
qualquer objeto, qualquer conhecimento. 
Esse querer mergulhar. 
E então porque um ser específico me fisga? 
Eu não sei. 
Porque quero ainda voltar, 
sabendo que posso ter 
e fazer tudo isso em qualquer lugar. 
Então por que você? 
Eu não sei.. 
Eu sinceramente não sei. 
Não sei por que querer voltar a visitar o seu mundo. 
E sinceramente não sei se importa muito 
saber exatamente o porquê. 
Ou importa? 
Acho que a questão é o que quero fazer com isso que me chega. 
Saber o que não quero. 
Percebo então que posso querer me demorar em algumas pessoas ou não.
E saber se me querem também em seus mundos
por perto.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

reconhecimento

vivi um sonho - poesia
contigo.
tudo que de melhor existia aqui
dentro
vi saindo.
foi expresso
fora
em palavra
em ação 
em não ação.
externado.
vivido.
pôde experienciar
tudo que tinha
naquele momento.
hoje percebo
que tinha mais.
não me deixei atravessar
completamente.
não sei o que seria
se acontecesse.
se nós permitíssemos 
nos atravessar mais um pouco,
atravessar o medo de fazer diferente
daquilo que aprendemos o que é viver.
não sei se o sonho que tínhamos 
de envelhecer lado a lado
passaria a ser real.
mas e o que é mesmo real
para a mente?
em certos momentos acreditei
nesse momento de termos
atravessado até a velhice.
sim.
eu vivi uma vida - poesia.
amei além do que imaginei
ser capaz.
amei ‘até doer’
amei até sumir
amei no transbordar 
amei no silêncio 
amei no caos
amei na paz
e continuo amando.
como não amaria?
pude, ao seu lado, estar mais próxima de mim.
pude estar próxima de ti.
decidindo olhar de frente muitos medos para isso.
como não amaria?
e eu só agradeço por essa
vida - poesia.

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Assim como as palavras rimadas que escrevo
não são minhas.
As palavras que digo também não.
Não quer dizer que não me responsabilizo por elas.
Palavras faladas
Palavras escritas.
Fazem parte do que vivo
das experiências que passo 
e
elas estão ali.
Compondo também essa canção -
vida.
Dando cor.
Dando brilho.
Dando graça.

Não são minhas.

As uso.
As pronuncio.
As escrevo.
As vivo.
Elas passam por mim
como um vento vendaval -
brisa.

Passam.

Jessika de Sousa Macedo

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Dança dos elementos

Dentro
Água que corre.
Fora
Fogo que consome
Da terra revestida também.
Criando a possibilidade
Do toque.
Terra que acolhe
Terra que alimenta
Terra que nutre
Terra que sustenta.
Em uma dança
Assim se fez.
O cortejo do início
À meia noite.
Nos rodopios incentivados
Pelo vento.
No descanso sob o céu
Negro
Estrelado.
Um descanso
No peito embrasado.
E assim se fez
A dança dos elementos.

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Saudade devoradora

acho que estou oca 
e tudo que causa vazio 
aumenta de tamanho. 
existe um buraco 
aqui 
dentro. 
a saudade, nesse momento, 
me chega latente. 
devoro tudo que posso 
do lado de fora. 
em vão. 
o vazio permanece. 
acho que é saudade o nome. 
como irei saciar essa falta? 
como irei preencher esse coração ansiado? 
vou para dentro. 
faço uma visita a meu corpo. 
busco ali a solução 
e eis que, a barriga corresponde. 
fome. 
tenho fome física. 
o grito da barriga denuncia. 
preencho então parte desse buraco.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

/ /

uma pausa para respirar
um ponto.
de chegada
de partida.
algumas vírgulas aqui
e
acolá.
um espaço

para espaçar

esses passos

atropelados.

um respiro
para refrescar
essa caminhada
desapreciada.
já não escuto nada
nem futuro
nem passado.
presente a se desembrulhar.
descanso em movimento.
nesse sossego.
nesse vazio que foi desassossego.
vida pedindo para passar.
pra correr feito rio seguindo
seu curso natural.
um descanso.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

quem é a voz ativa na minha história?

às vezes rememorando
lembro de tudo que queria fazer
e não fiz.
vigia aqui.
vigia dali.
medo de transgredir.
espaço, cadê?
apertado.
apertado.
força redobrada pra sair.
força redobrada para ser.
contrato que algum dia fiz
comigo ou com outro ser.
de não ser.
não sei ao certo como foi.
sei o que não foi.
não fui.
não sou.
o que sou agora?
expectativas jogadas
vestidas
postas aceitas, amém.
o que vivo hoje foi o que quis?
foi o que queria fazer?
não sei. não.
foi o que fiz ao quererem.
criei essa realidade.
não sei se a minha,
mas é a que atuo.
não sei se é na que quero continuar
atuando.
e assim rememoro,
releio,
questiono
para não me esquecer.
há tanto aí fora.
há tanto aqui dentro.
viver.
ver.
ser.
a voz ativa.
existir.
emergir.
transgredir.

Jessika de Sousa Macedo

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Morada

A caminho da ponte 
que me leva para casa. 
Uma pausa no coreto que 
meu olhar faz levantar. 
A copa das árvores que balançam 
parecendo dançar. 
Parecendo espanar as nuvens 
que ali passam. 
Um respiro em meio a esse 
trânsito maluco do centro da cidade. 
O antigo e o novo 
se encontram ali. 
A calma e a ferocidade também. 
O verde e a fumaça - oxigênio gás carbônico. 
De volta. 
A caminho da ponte 
que me leva para casa.
Ligando duas cidades diferentes.
Assim os antigos moradores 
diziam.
Numa cidade ou noutra.
Aqui ou acolá.
Há lar.

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 9 de outubro de 2021

Pedra bruta

Não
Eu não quero acolhimento.
Só me deixa escorrer.
Não barra o meu
movimento líquido
que desliza neste chão que
te molha os pés.
Não seca o que já foi
Seca.
E hoje transborda em
vida em forma
líquida.
Fluida.
Transparente.
Não tapa aquilo que vê.
Vê.
Olha.
Aprecia como uma escultura
que antes era pedra bruta.
Toca.
Passe os dedos pelas bordas,
pelas elevações e
sente.
O que a tua pele registra no peito?
O que teus olhos registram na mente?
O que os teus pés sentem?
O que tudo isso te diz?
Sente.
E transborda o que sente.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

All

O encontro com você é um deleite.
Me lembrou daqueles filmes mexicanos
exagerados em sua superfície
e delicados se olhado mais de perto.
Belos às suas maneiras.
Talvez seja uma projeção?
Talvez sejam os resquícios da primeira impressão.
Mas não vim falar sobre isso.
Estava aqui pensando nos bons ventos
que me fizeram encontrar você.
E na minha ignorância que não me permitiu te ver
em alguns momentos.
Encontrar com você nessa vida
é um verdadeiro oásis.
É te sentir presente, atenta ao momento.
É se sentir sendo escutada e um convite para
também estar presente ao momento.
É te observar prestando atenção a cada detalhe do
que acontece ao redor e respondendo ao todo com 
todo cuidado.
É se surpreender com as suas respostas frente
a um afeto.
Na habilidade alquímica dos sentimentos,
extrai e oferece o melhor de você.
O cuidado. O toque e presença sutil nos lugares.
A atenção. O olhar atento aos detalhes.
O carinho.
Não percebo essas descrições estáticas.
Mas as percebo em suas ações sem pudor.
E a naturalidade demonstrada também
do outro lado real, humano.
Ambos trazem brilho.
Me fazem sentir real.
Sem utopias.
Não que não haja sonhos.
Me trazem a apreciação daquilo que se é no momento.
-
E é lindo te ver e viver o mesmo ambiente
em que você está.
Eu queria deixar registrado em algum lugar
a beleza que é o encontro com você.
Eu queria que as pessoas sentissem a beleza
dos seus olhos
que são como a imensidão transbordante
de amor.
Eu queria falar também sobre o seu sorriso sutil
tão dissonante de sua gargalhada espalhafatosa
que preenche o espaço com um
sonido gostoso.
Eu queria falar com beleza sobre o seu toque,
sobre a sua presença.
Eu só queria deixar isso registrado em algum lugar.
Soltar e deixar o vento levar aos quatro cantos
para que as pessoas soubessem quão belo é
o encontro com você.
E para que esse vento chegasse por aí também
como um retorno, um beijo suave em agradecimento
a tudo que fez de bem.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

inominável

Música: ú (Dani Black)

isso me desassossega
mexe com as entranhas de meu ser
nu
exposto
se debatendo até o total silêncio
da voz
do corpo
que te olha
e vê a imensidão
o amor.
esse corpo parado
a te admirar.
admirar esse ser
que também é amor.
se aproxima a um cortejo
um pedido para uma dança.
mas não tem música tocando fora.
há apenas a vibração do
mistério do movimento.
do momento.
nos concede essa dança?

Jessika de Sousa Macedo