Esse mês tem sido o mês das saudades Do me relembrar, Em outros momentos, de como Viver diferente. Que quase ficou nas memórias esquecidas Da infância. Olhando para trás, Reconheço. Reconheço a sobre-vivência Cega Instintiva Visceral. Passando por experiências, Lugares, Pessoas, Observando, Aprendendo, Servindo o Coração Puro. Que se fechou em algum momento De tão doído Moído Nessas andanças de passar sem Ter uma guiança, Um farol, Uma luz que clareia o caminho. Uma mão que orienta O que "passarei" (ou poderei "passar") Pelos ciclos. Nesses momentos de mudanças Distanciadas de sentir De ver Encobertos pelas novas demandas. Várias luzes, Várias luzes que ia encontrando e Observando e Escutando e Aprendendo e Sobrevivendo e Vendo e Reconhecendo e Vivendo. A cada um A cada uma O meu Agradecimento. Por esses tempos, Sobre-vivendo no Avesso. Caminhando por onde não Me reconheço, Reconheço e Me reconheço. De um outro jeito. Passando em mim Experiências observadas, antes, fora Agora dentro. Culpa-dor-confusão-medo-rejeição-nojo-julgamento-exclusão. Quase me exclui por uma mente no estado Instável. Quase me exclui por não observar os ciclos da vida. Quase quis me perder no mundo Sem direção, Sem sentido, Sem sentir. Quase quis excluir minha outra metade. Quase quis me petrificar. Hoje, Diante de tudo. Olhando para essa história - Sem o juiz - Para o que aconteceu. Vejo semente, Vejo caminho, Vejo escolha, Vejo reconhecimento, Vejo acolhimento Vejo estrada pra caminhar E me vejo, Me vejo mais de perto.
Que viagem, viu.
Jessika de Sousa Macedo
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
A vida em seu grande mistério Linda Viva. Tem me trazido de volta Para a apreciação Para o encantamento Para os detalhes Que fazem minhas narinas abrirem E pupilas dilatarem. Para tudo Que aqui existe. Que saudade que estava desse lugar. Que saudade que estava desse estado. Que saudade que estava dessa forma De estar aqui. O mistério tem me deixado novamente Curiosa. Ainda cuidadosa. Não mais de receio. Cuidadosa Pela beleza e preciosidade Desvendada. O cuidado daquele que ama. Que saudade que estava disso.
ando tão esquisita vivendo uma vida sem sentido interior sem sentido prático, vivido. incompreensivelmente os dias têm passado quase me levando pelo seu vento ligeiro e eu com os pés fincados no chão vendo tudo passar a me balançar de um lado para o outro os joelhos a se dobrar e quase cair no chão. levados pelo vento ligeiro que passa. passa estranhamente como essa vida dentro. fora, tudo acontecendo normalmente em seus ciclos. dia-tarde-noite. primavera-verão-outono-inverno. inferno que se demora aqui. invernando nesses dias solares que me derretem deixando sem forma, esquisita. por não entender o que se passa. vivendo o outro lado da moeda. um novo olhar. quase presa em cara estática para a fotografia que vai se desbotando com o passar dos dias. dos ciclos de dentro que começam a ser reconhecidos por aqui também. uma forma desagradável que atuo na vida. bruta: com a lança em riste. a ponto de ferir alguém (se é que não feriu). *susto* rígida: ao me perceber querendo viver dentro de um quadrado estático. *risos e mais risos* desarmada com o susto e riso do ciclo bruto, rígido percebido. enquanto olho para as mãos. enquanto olho para frente. me desarmando com observação, bom humor. desavexando, seguimos.
O que percebo é que há vida pulsando incessantemente dentro e essa vida tem vida própria. Ela não para e não inicia ao passar por lugares e pessoas. Ela está ali, disponível, exposta. Passando. E esse corpo que faz parte dela experiencia sensações, trocas, outras vidas. Percebo que tenho vontade de mostrar meu mundo inteiramente para algumas pessoas. Percebo que posso mostrar a qualquer pessoa. Não há verdadeiramente algo a temer nessa história que meu mundo conta. É uma história como outra qualquer. E me vejo querendo compartilhar esse mundo com alguém. E me dou conta então que isso poderia acontecer com qualquer ser, qualquer objeto, qualquer conhecimento. Esse querer mergulhar. E então porque um ser específico me fisga? Eu não sei. Porque quero ainda voltar, sabendo que posso ter e fazer tudo isso em qualquer lugar. Então por que você? Eu não sei.. Eu sinceramente não sei. Não sei por que querer voltar a visitar o seu mundo. E sinceramente não sei se importa muito saber exatamente o porquê. Ou importa? Acho que a questão é o que quero fazer com isso que me chega. Saber o que não quero. Percebo então que posso querer me demorar em algumas pessoas ou não. E saber se me querem também em seus mundos por perto.
vivi um sonho - poesia contigo. tudo que de melhor existia aqui dentro vi saindo. foi expresso fora em palavra em ação em não ação. externado. vivido. pôde experienciar tudo que tinha naquele momento. hoje percebo que tinha mais. não me deixei atravessar completamente. não sei o que seria se acontecesse. se nós permitíssemos nos atravessar mais um pouco, atravessar o medo de fazer diferente daquilo que aprendemos o que é viver. não sei se o sonho que tínhamos de envelhecer lado a lado passaria a ser real. mas e o que é mesmo real para a mente? em certos momentos acreditei nesse momento de termos atravessado até a velhice. sim. eu vivi uma vida - poesia. amei além do que imaginei ser capaz. amei ‘até doer’ amei até sumir amei no transbordar amei no silêncio amei no caos amei na paz e continuo amando. como não amaria? pude, ao seu lado, estar mais próxima de mim. pude estar próxima de ti. decidindo olhar de frente muitos medos para isso. como não amaria? e eu só agradeço por essa vida - poesia.
Jessika de Sousa Macedo
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Assim como as palavras rimadas que escrevo não são minhas. As palavras que digo também não. Não quer dizer que não me responsabilizo por elas. Palavras faladas Palavras escritas. Fazem parte do que vivo das experiências que passo e elas estão ali. Compondo também essa canção - vida. Dando cor. Dando brilho. Dando graça.
Não são minhas.
As uso. As pronuncio. As escrevo. As vivo. Elas passam por mim como um vento vendaval - brisa.
Dentro Água que corre. Fora Fogo que consome Da terra revestida também. Criando a possibilidade Do toque. Terra que acolhe Terra que alimenta Terra que nutre Terra que sustenta. Em uma dança Assim se fez. O cortejo do início À meia noite. Nos rodopios incentivados Pelo vento. No descanso sob o céu Negro Estrelado. Um descanso No peito embrasado. E assim se fez A dança dos elementos.
acho que estou oca e tudo que causa vazio aumenta de tamanho. existe um buraco aqui dentro. a saudade, nesse momento, me chega latente. devoro tudo que posso do lado de fora. em vão. o vazio permanece. acho que é saudade o nome. como irei saciar essa falta? como irei preencher esse coração ansiado? vou para dentro. faço uma visita a meu corpo. busco ali a solução e eis que, a barriga corresponde. fome. tenho fome física. o grito da barriga denuncia. preencho então parte desse buraco.
uma pausa para respirar um ponto. de chegada de partida. algumas vírgulas aqui e acolá. um espaço
para espaçar
esses passos
atropelados.
um respiro para refrescar essa caminhada desapreciada. já não escuto nada nem futuro nem passado. presente a se desembrulhar. descanso em movimento. nesse sossego. nesse vazio que foi desassossego. vida pedindo para passar. pra correr feito rio seguindo seu curso natural. um descanso.
às vezes rememorando lembro de tudo que queria fazer e não fiz. vigia aqui. vigia dali. medo de transgredir. espaço, cadê? apertado. apertado. força redobrada pra sair. força redobrada para ser. contrato que algum dia fiz comigo ou com outro ser. de não ser. não sei ao certo como foi. sei o que não foi. não fui. não sou. o que sou agora? expectativas jogadas vestidas postas aceitas, amém. o que vivo hoje foi o que quis? foi o que queria fazer? não sei. não. foi o que fiz ao quererem. criei essa realidade. não sei se a minha, mas é a que atuo. não sei se é na que quero continuar atuando. e assim rememoro, releio, questiono para não me esquecer. há tanto aí fora. há tanto aqui dentro. viver. ver. ser. a voz ativa. existir. emergir. transgredir.
A caminho da ponte que me leva para casa. Uma pausa no coreto que meu olhar faz levantar. A copa das árvores que balançam parecendo dançar. Parecendo espanar as nuvens que ali passam. Um respiro em meio a esse trânsito maluco do centro da cidade. O antigo e o novo se encontram ali. A calma e a ferocidade também. O verde e a fumaça - oxigênio gás carbônico. De volta. A caminho da ponte que me leva para casa. Ligando duas cidades diferentes. Assim os antigos moradores diziam. Numa cidade ou noutra. Aqui ou acolá. Há lar.
Não Eu não quero acolhimento. Só me deixa escorrer. Não barra o meu movimento líquido que desliza neste chão que te molha os pés. Não seca o que já foi Seca. E hoje transborda em vida em forma líquida. Fluida. Transparente. Não tapa aquilo que vê. Vê. Olha. Aprecia como uma escultura que antes era pedra bruta. Toca. Passe os dedos pelas bordas, pelas elevações e sente. O que a tua pele registra no peito? O que teus olhos registram na mente? O que os teus pés sentem? O que tudo isso te diz? Sente. E transborda o que sente.
O encontro com você é um deleite. Me lembrou daqueles filmes mexicanos exagerados em sua superfície e delicados se olhado mais de perto. Belos às suas maneiras. Talvez seja uma projeção? Talvez sejam os resquícios da primeira impressão. Mas não vim falar sobre isso. Estava aqui pensando nos bons ventos que me fizeram encontrar você. E na minha ignorância que não me permitiu te ver em alguns momentos. Encontrar com você nessa vida é um verdadeiro oásis. É te sentir presente, atenta ao momento. É se sentir sendo escutada e um convite para também estar presente ao momento. É te observar prestando atenção a cada detalhe do que acontece ao redor e respondendo ao todo com todo
cuidado. É se surpreender com as suas respostas frente a um afeto. Na habilidade alquímica dos sentimentos, extrai e oferece o melhor de você. O cuidado. O toque e presença sutil nos lugares. A atenção. O olhar atento aos detalhes. O carinho. Não percebo essas descrições estáticas. Mas as percebo em suas ações sem pudor. E a naturalidade demonstrada também do outro lado real, humano. Ambos trazem brilho. Me fazem sentir real. Sem utopias. Não que não haja sonhos. Me trazem a apreciação daquilo que se é no momento. - E é lindo te ver e viver o mesmo ambiente em que você está. Eu queria deixar registrado em algum lugar a beleza que é o encontro com você. Eu queria que as pessoas sentissem a beleza dos seus olhos que são como a imensidão transbordante de amor. Eu queria falar também sobre o seu sorriso sutil tão dissonante de sua gargalhada espalhafatosa que preenche o espaço com um sonido gostoso. Eu queria falar com beleza sobre o seu toque, sobre a sua presença. Eu só queria deixar isso registrado em algum lugar. Soltar e deixar o vento levar aos quatro cantos para que as pessoas soubessem quão belo é o encontro com você. E para que esse vento chegasse por aí também como um retorno, um beijo suave em agradecimento a tudo que fez de bem.
isso me desassossega mexe com as entranhas de meu ser nu exposto se debatendo até o total silêncio da voz do corpo que te olha e vê a imensidão o amor. esse corpo parado a te admirar. admirar esse ser que também é amor. se aproxima a um cortejo um pedido para uma dança. mas não tem música tocando fora. há apenas a vibração do mistério do movimento. do momento. nos concede essa dança?