domingo, 23 de junho de 2024

dor e delícia

Como é possível viver coisas tão belas
Como é possível conhecer pessoas intimamente
Como é possível estar em companhias agradáveis
Todos os dias.
Pessoas apaixonantes de todo canto.
Por vezes me pergunto o que fiz
e agradeço a benção.
Como sou grata a cada pessoa que
conheci - conocí.
Eu gosto de gente
E por vezes isso me assusta
Tenho medo de me aproximar um pouco mais.
Ih no medo, faço confusão.
Por vezes me questiono o porquê desse medo que
afasta.
Ficam as memórias, as lembranças
suaves, marejantes, agraciadas
de cada um
de cada uma.
E a dor do resultado da confusão
Que também fica
Querendo ser desatada
Dita
Claramente.
Na impossibilidade,
Derramam-se as doces lembranças
Que podem ser abertas e vistas
mais uma vez.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Desencontro? continuação..

Como acontece o encontro com o outro?
Ele de fato acontece?
As respostas que damos
São de fato para o outro?
E a que recebemos
São de fato para a gente?
O encontro com o outro acontece?
Ou diante da gente só há
memória?
Qual a ponte que atravessa a bolha?
Equívoco?
Frustração?
Contrariedade?
Apreciação?
Sinal da paz?
Harmonia?



---
Tem um negócio nessa vida que pode ser um obstáculo. As perspectivas (ponto de vista). Elas podem ir para qualquer lugar. E uma relação (?) que não há vontade de comunicação das partes ou de uma das partes, a perspectiva pode ser interpretada em qualquer lugar. Obstáculo ou construção ou aproximação..?

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 19 de maio de 2024

Filme Dias perfeitos

Ontem assisti ao filme ‘Dias perfeitos’ e como ninguém que conheço assistiu e não estou com disposição para fóruns, vim escrever. Então aqui vai a perspectiva de uma pessoa comum, que não entende de crítica de filme e nem tem essa intenção. Vim somente relatar a minha perspectiva ao ter assistido ao filme e o que ele causou em mim. E, caso quem me lê assistiu e queira dizer a sua perspectiva, gostaria de ler^^ Dito isso..
O engraçado, acho, foi que assisti após assistir a um filme totalmente diferente. Explico. Assisti um filme, no dia anterior, por indicação onde dizia ter “uma protagonista errante”. Gostei disso, achei humano e fui assistir. O filme é bom, a meu ver. Mostra uma pessoa contraditória. Que se diz feminista e na primeira oportunidade, está em disputa com outra mulher. Bom, como não sei qual foi a intenção do filme, pois não fui procurar. Aqui poderia entrar algumas críticas, como reforçando que essa rivalidade é algo que acontece naturalmente entre mulheres e principalmente quando há um homem no meio – será mesmo?! Mas como também é um filme que vem de uma cultura que não conheço (os dois filmes, na verdade) e não estou com intenção de focar nisso, sigo. Esse filme foi intenso e o visual conseguiu que sentíssemos o efeito caótico que a personagem estava vivendo ali com várias demandas externas.. E a observação de protagonista errante fez sentido, de alguma maneira.
E então ontem, decidi assistir ‘Dias perfeitos’, que tinha visto o trailer no mesmo dia e me despertou curiosidade. O filme me levou para um lugar totalmente diferente. Enquanto no primeiro, não tive nenhum descanso em meio aos cortes caóticos e ao sofrimento visível da personagem, o segundo me trouxe para casa, para dentro. O filme mostra o cotidiano do personagem. Um cotidiano simples e repetitivo e ao mesmo tempo, de alguma forma, dá para perceber a riqueza interna desse personagem. Acontecem algumas coisas externas que muda a rotina dele, mas que não são capazes de tirá-lo totalmente desse aspecto interiorizado e arrastá-lo para o caótico. Dá para perceber que há alguma história que dói também nele, mas não o desestabiliza. De fundo, o filme pareceu querer retratar dois mundos diferentes – o analógico e o digital. Não sei também qual foi a intenção do filme, pois não li também sobre, mas teve uma fala que me chamou atenção e também questionaria: “O mundo é formado por muitos mundos. Alguns estão conectados. Outros, não”. Acho que se esses mundos existem dentro de um, existe algum meio de conexão. Só se os que não estão conectados não existem de fato. Enfim, também não vim me ater a isso. Mas fica o questionamento.
Acho que ele me afetou mais, por nessa atual estrutura de mundo que a gente vive, ser mais comum o cenário do primeiro filme – constante crítica, julgamento, vida fake, performance, muito estímulo que chega a cansar. E ele vem com uma porta diferente, de sossego, de descanso e ao mesmo tempo rico e convida pra esse lugar interno tranquilo. E no meio disso, tem a sobrinha do personagem, que pareceu retratar esse meio e essa pergunta que ela faz “Em qual mundo eu estou?”
Bom, isso foi o que chegou para mim. Sem conclusões, com alguns questionamentos, com energia de vida e com o sentimento de casa.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 1 de maio de 2024

A + B = C

"Cântico negro" (por Maria Bethânia)


Me ensinaram a julgar pessoas, 
a devolver na mesma moeda, 
a 'matar' essa pessoa em vida dizendo "você morreu para mim".
Mas também me ensinaram a apreciar as histórias, 
a responder às violências, 
a perdoar as pessoas.
Mas ninguém de fato revelou o que se passava por dentro.
O que levou a fazer isso ou aquilo?
Ninguém descreveu como foi, como estava e o que decidiu fazer.
Apenas disse.
A + B = C
S(c)egue.
Onde estão as histórias completas - alcançáveis?
Verdade ou consequência?
Agradeço e dispenso.
O lúdico e o lógico.
Gosto de mergulhar aqui.
Entendo melhor aí.
Como que sobrevive a essa dicotomia do mundo e de casa?
Como que integra isso?
Como que saio da falação?
Como protejo a cabeça?
Se seguindo a fórmula não chego na resposta C.
Me perco e já nem sei em que fórmula estou.
Se no primeiro ou no segundo ensina(manda)mento.
O que fazer?
Sigo incoerente se olhada (olhando)
apenas dentro dessa fórmula.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 26 de abril de 2024

corpomemória/lembrança

Na pausa de uma manhã difícil.
Miro as folhas da palmeira pela janela.
Um respiro profundo enquanto aprecio seu movimento
e minhas retinas são banhadas também pelo sol
e minha memória alimentada pela liberdade - sauvaginfância - de outrora.
Agradeço por esse alimento
e me viro para a cumbuca com ovos e batata doce
e a xícara com café preto que me esperavam
para continuar o dia.

---

A todo tempo despertando:
Do sono profundo
Do cochilo pós almoço
ou após escutar algo naquela palestra
que te traz de volta
A memória vinda - percebida ou não - após alguma vivência do
agora
Para um entendimento.
Estamos mesmo despertando?
Iremos mesmo despertar?
O que nesse mundo é de fato totalmente inativo?
Eu desperto
Tu despertas
Ele desperta
Nós teremos o grande despertar!
De quê?
Nós já estamos aqui
Em potência total permitida.
Vivendo.
Em atividade.
Até no sono há atividade.
- talvez não percebida -
Movimento - Inércia.
O que nesse mundo é de fato totalmente não desperto?
Até as memórias estão em atividade.
- talvez não percebidas -
Ansiedade.
Querer fazer algo - não percebido - que já acontece naturalmente.
Depressão.
Fechar os olhos para o que já vive.
Loucura.
Aceitar a ideia de doença que o outro te dá.
Despertar?

Jessika de Sousa Macedo

P.s.: as palavras ansiedade, depressão não estão se referindo a diagnósticos.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

ponto zero

que bom que você chegou
não acreditei quando te vi!
será que é um sonho?
a que momento eu acordo?
(que bom que está aqui.)
sabe, faz um tempo que peço por sua presença.
que carrego o espaço da sua ausência.
que se foi no momento em que meus olhos te encontraram.
(te encontraram e relaxaram)
um encontro.
um encontro programado sem data.
calendário sendo passado no decorrer dos acontecimentos de cada vida.
o mundo girando e as coisas acontecendo até que..
ponto zero
nós 
uma de frente para outra.
como pode?
que bom que chegamos.
que estamos.
aqui.
respiro profundo
de alívio
repouso
de estar em casa
com a sua pele aqui 
em meus lábios 
em meus braços 
repousando na minha
pele também.
enfim.
em casa
respiro profundo
de alívio.

Jessika de Sousa Macedo

(isso é sobre o encontro consigo. e pode ser com o outro também)

quarta-feira, 3 de abril de 2024

banalidade

as coisas ordinárias 

são o que dão vida

no ordinário 

é que as coisas acontecem

é onde a vida brota,

acontece.

onde há graça -

riso,

divino.

o sustento onde todas as coisas acontecem - prece.


Jessika de Sousa Macedo

sábado, 23 de março de 2024

Rio

Esse corpo recebeu todo tipo de afeto.
Foi jogado nessa carne a resposta da
Raiva, do
Medo, da
Frustração, da
Covardia.
Nessa carne e nessa mente
Exposta,
Em formação.
Recebi também o
Cuidado, a
Ternura, a
Força, a
Proteção, o
Amor em suas diversas
formas.
Conheci também a
Mansidão.
E é nela que acredito
(ou quero acreditar - por perceber passada a passada).
Não a da carne amansada.
Mas a mansidão do tempo e do conhecimento.
Esse que vai mudando na ação de caminhar.
Quase não visto se olhado de perto, segundo a segundo.
Mas perceptível a cada chegada
de uma nova
Estação.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 14 de março de 2024

Tudo para ser

Trecho do livro “A bailarina de Auschwitz”

Essa história tinha dentro de si
toda potência de vida
que há em uma semente.
Que não vingou.
Ou o tempo é outro?
Eu não sei.
Todas respostas externas diretas
me vêm sem deixar dúvida.
Mas a semente continua fechada.
Sem se quer uma abertura
para a vida que há dentro
sair.
Parei de direcionar perguntas à semente.
Parei de clamar respostas e culpas aos
deuses, ao universo, à vida, a mim.
Esse é o lugar para aprender a seguir
sem uma resposta?
Essa é uma (grande) perda?
Essa é uma violência?
Essa é a resposta do trauma não
visto
a tempo (de quem?)?
Parei.
Parei de perguntar para seguir.
Parei.
Parei de olhar respostas externas
não vindas da semente.
Parei por aqui.
Para seguir.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 6 de março de 2024

partilha

esse sumo,
apreciado com quem é íntimo.
e não.
não quem é conhecido.
íntimo.
seja
aquela com quem troco palavras no ponto de ônibus,
aquele com quem troco serviço em algum estabelecimento.
aqueles que vêm
àqueles que vou.
sementes
são levadas pelo
vento.
por um outro bixo.
por um outro ser que por aqui passou.
há sementes que trago comigo
de outro lugar
por onde passei.
feito pássaro que se engraça em uma flor
e leva a semente
que nele ficou.
e assim,
relações acontecem.
flores
frutos
podem ser espalhados
admirados
desfrutados.
e o sumo,
apreciado.

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 24 de fevereiro de 2024

tempo de alguém




não me basta ser compreensível 
escutar apenas a sua humanidade
enquanto minha mente vagueia
loucamente ansiando por suas mãos.
onde fica a minha humanidade?
tão ignorada e violentada.
apenas um toque.
apenas um olhar.
apenas um rastro de humanidade
faria minha mente se acalmar.
não me basta ser compreensível 
já não me basta mais.


Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

algoritmos - onde está o foco?

a tempos não vejo mais sentido na vida.
e ainda continuo aqui.
fazendo todos os dias em que acordo
aquilo que a vida me pede.
tarefas, obrigações, planejamento mínimo, ser útil.
a tempos não sei mais me divertir.
pousou em mim uma seriedade
que deixam meus movimentos pesados.
nem a leveza do meu corpo físico
miúdo tem influência em meus passos.
e assim tem sido todos os dias ao acordar.
tentei me divertir, me distrair
e parece que tem algo encrustado que me aperta junto a gravidade.
já não basta ela me pressionando?
ainda vejo a beleza das coisas externas, dos movimentos internos, dos aprendizados diários.
ainda me surpreendo com um pássaro, ainda quero sair correndo e me jogar ‘nos braços’ de uma árvore, ainda me apraz a companhia silenciosa dos animais, ainda me empolgo em uma conversa-em uma descoberta, ainda sinto tesão, ainda gozo.
e ainda assim não vejo sentido. não sei mais agradecer pela vida. não sei mais agradecer por ter acordado.
só não estou mais conseguindo enxergar mais o sentido de eu estar aqui.
e ainda assim continuo aqui.
nesses últimos anos vi a força para além desse corpo, dessa mente.
vi a força do instinto de sobrevivência e do desejo de permanecer.
e não é que queira eu mesma acabar com tudo. enquanto acordar estarei fazendo o que me é exigido. mas não reclamaria se acabasse essa pressão-foco extra.
me desencontrei da graça, do riso frouxo, do relaxamento, da suavidade, da doçura.
será que a reencontro na próxima respiração?

p.s.: não é demais visitar: um médico (ver as vitaminas), um terapeuta/psicólogo/psicanalista, alguma amizade, o lugar onde sua fé/intuição te levar, o conhecimento

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Giro

A saudade é uma coisa bonita e interessante.
Ao mesmo tempo que há o risco de se prender ao passado.
Estático.
Nebuloso.
Se partimos da ideia que as coisas são cíclicas, 
esse passado saudoso 
será encontrado aqui 
e logo mais a frente 
também.
A cada passo dado,
a cada descanso desfrutado.
Lembrança.
Encontro.
Não igual.
Familiar.
E assim..
sentimento de casa.

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 18 de novembro de 2023

Conjunto

nos pontos de intersecção 
do conhecimento 
vou sendo levada
como numa dança de valsa.
vou.
e quando vejo,
já se passaram 2, 3, 4
canções diferentes 
da mesma dança.
vou
assim
valsando
conhecendo
os pontos
que os caminhos
se encontram.

Jessika de Sousa Macedo