terça-feira, 4 de outubro de 2022

Kairós

não,
eu não sei o porquê
que ocupou mais espaço interno
que imaginei alguém poder ocupar.
assim.
talvez a psicologia
ou a espiritualidade
ou os karmas
ou sei lá quem ou o
quê
expliquem.
e eu
não tenho conhecimento
de nada disso.
e nessa altura do campeonato
em quê me valeriam
esses dizeres?
essa minha mania de querer
racionalizar tudo.
daqui
somente escuto.
de dentro pra fora
de fora pra dentro.
o que meu corpo diz
o que sinto ao assistir
você se mover
e as circunstâncias
que nos aproxima mais
que o esperado.
só escuto.
escuto o desejo também
e o afirmo.
sim.
te desejo.
sim.
te sinto.
sim.
me interesso.
sim.
te quero parceria.
sim.
brilho ao te saber.
e dentro do lugar que me cabe
escolher.
eu escolho
permanecer.
aqui.
ao teu lado também
ser.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Batuque

Sentada, em minha companhia, estive
na intenção de integrar tudo
o que foi.
Todas as negações do sentir
Todas as invalidações do corpo
que a mente aprendeu.
E repetiu.
E silenciou.
E estressou.
E quase colapsou.

E o que ficou.
Distante.
Queimando.
Ardendo.
Gritando.

Tive medo dessa luz 
que me queimava,
que ardia pela
intensidade
incandescente.

Tive medo da força
que é assumir o que sinto
que é validar todo meu corpo.

Aprendizados.

E cá estou eu
me queimando em
palavras.
Nesse crepúsculo.
Nesse momento zero
Marcando o
fim
e o
início
desse (re)conhecimento.
Banhada em lágrimas
indicando a saudade,
a felicidade do
encontro.
Que fez o coração
vibrar
Em um sonido
tranquilo e
acalentador de
amor,
Amor.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Música: Você sorrindo (Dani Black)


você toca no mais profundo 
do movimento da dor.
- transformação -
talvez daí venha a dificuldade 
em me dizer.
só enxergava o duro
deixando a criação de lado.
as possibilidades de ver além 
daquele concreto
e
o que dela poderia vir a ser.

e no som.
grave,
vibrante.
na pele.
suave,
delicado.
ficava à flor da pele.
surda
a cada contato.

a cada contato,
ondulações gigantes,
sem controle.
levando o que tivesse pela frente.
o vento breve de uma inspiração profunda 
não eram capaz de suavizar.

claro.

jorrar como vinha para mim
não era opção.
duro demais.
profundo demais.
águas que nem eu
ousava mergulhar.

e essa mania de querer colocar
o outro em meu lugar
de ação sem nem 
perguntar.

daqui,
eu não desejaria nada menos do que isso. 
que a sua vida seja sua. 
que a minha vida seja minha. 
e que talvez possamos nos encontrar 
nesses mergulhos,
nessas criações.
e voltar.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Vivo em constante contato com a morte. 
Não sei se ela me seduz. 
Se ela me testa. 
Sempre sinto sua baforada em meu rosto. 
Poderia dizer que é gélida. 
É quente - eletrizante. 
Quente como sangue fresco. 
E ela me ronda. 
Talvez esperando meu passo. 
E esse é o único flerte que sei o fim. 
Para quê dar o primeiro passo. 
Olho. 
Observo. 
Vejo o que vem de lá. 
Apenas assisto. 
Aproveito a brincadeira do flerte sem iniciativa. 
Como espectadora. 
Prefiro esperar que dê o primeiro passo.
Prefiro acompanhar todas as jogadas. 
Para quê antecipar a jogada? 
Para quê acabar com a brincadeira antes do tempo? 
Não. 
Prefiro esperar todo o jogo acontecer. 
Aproveitar. 
Rir. 
Chorar. 
Gritar. 
Me calar. 
Gemer. 
Respirar até o último fio de ar.

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 17 de julho de 2022

espaço

“Que se não der para adiantar
Te atrasar não vou
Se não der para melhorar
Piorar não vou”

não queria tomar espaço na tua vida
mas queria fazer parte de algum.
e hoje, sendo sincera comigo,
percebo que nunca fiz parte de qualquer espaço 
dentro de seus dias.
nenhum.
não sei pq tanto tempo me iludindo 
acreditando que fizesse parte de algum.
e não que quisesse ter algum lugar
de importância ou exclusividade.
não mesmo.
mas sim,
que em algum lugar, momento fizesse parte.
e percebo, cada vez mais nitidamente, 
que essa não é a realidade.
e tudo bem, sabe!
eu só quereria ter sabido disso antes..
não que o seu lugar mudasse por aqui.
mas a minha atitude mudaria por aí.
não demandaria tanto de um lugar que não me cabe.
pra quê?!
ilógico isso.

Jessika de Sousa Macedo
 
—-
acho que quando se entra nesse lugar de esperar que o outro desempenhe um papel - o que você espera -, se afastando daquilo que a realidade mostra. como, por exemplo, uma filha espera que um pai aja de uma determinada maneira. seja por ser um papel socialmente descrito em passos, seja por uma própria fantasia do que seria esse papel, seja por uma necessidade própria, enfim. e dentro dessa cegueira, afastada da realidade, fica difícil ver o real lugar que estamos, que ocupamos dentro daquela realidade, naquela experiência. e o outro, também afastado, fica difícil um possível equilíbrio, uma possível clareza, um possível diálogo - de querer junto, de querer afastada. entre as pessoas, entre as realidades, entre os papéis, entre as necessidades, nas experiências.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

which one?

ser dócil 
em um ambiente hostil
é insalubre.
ser doce
em um ambiente hostil
é contraste.
veja o disfarce.
o quase engano
com a palavra.
quase parecida na
sonoridade.
tão distinta
na realidade.

Jessika de Sousa Macedo 

quinta-feira, 30 de junho de 2022

suco

vem cá me dar um beijo
gostoso
desses assim
de estalar
vulgar
que faz a lingua
correr
dançar 
lábios 
percorrer
e o corpo
aproximar
puxar
cintura pra
dentro
desejo pra
fora
ofegante
publicamente
desconcertante 
intimamente
desejante
vem cá 

Jessika de Sousa Macedo 

domingo, 10 de abril de 2022

Lugar pra amar

Você tem cheiro de um amor gostoso.

De um peito-casa lar.

Desses que a gente chega e quer se demorar.

Onde as paredes acolhem

Gargalhar

              Chorar

                      Gozar

                             Brincar

                                      Atritar

                                            Cuidar.

Ecoam                        (((        amar.       )))

                                                    A.Mar-ia.  



Jessika de Sousa Macedo 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Socialmente ɔoɹɹǝʇo

Esse mês tem sido o mês das saudades
Do me relembrar,
Em outros momentos, de como
Viver diferente.
Que quase ficou nas memórias esquecidas
Da infância.
Olhando para trás,
Reconheço.
Reconheço a sobre-vivência
Cega
Instintiva
Visceral.
Passando por experiências,
Lugares,
Pessoas,
Observando,
Aprendendo,
Servindo o
Coração
Puro.
Que se fechou em algum momento
De tão doído
Moído
Nessas andanças de passar sem
Ter uma guiança,
Um farol,
Uma luz que clareia o caminho.
Uma mão que orienta 
O que "passarei" (ou poderei "passar")
Pelos ciclos.
Nesses momentos de mudanças
Distanciadas de sentir
De ver
Encobertos pelas novas demandas.
Várias luzes,
Várias luzes que ia encontrando e
Observando e
Escutando e
Aprendendo e
Sobrevivendo e
Vendo e
Reconhecendo e
Vivendo.
A cada um
A cada uma
O meu
Agradecimento.
Por esses tempos,
Sobre-vivendo no
Avesso.
Caminhando por onde não
Me reconheço,
Reconheço e
Me reconheço.
De um outro jeito.
Passando em mim
Experiências observadas, antes, fora
Agora dentro.
Culpa-dor-confusão-medo-rejeição-nojo-julgamento-exclusão.
Quase me exclui por uma mente no estado
Instável.
Quase me exclui por não observar os ciclos da vida.
Quase quis me perder no mundo
Sem direção,
Sem sentido,
Sem sentir.
Quase quis excluir minha outra metade.
Quase quis me petrificar.
Hoje,
Diante de tudo.
Olhando para essa história
- Sem o juiz -
Para o que aconteceu.
Vejo semente,
Vejo caminho,
Vejo escolha,
Vejo reconhecimento,
Vejo acolhimento
Vejo estrada pra caminhar
E me vejo,
Me vejo mais de perto. 

Que viagem, viu.

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A vida em seu grande mistério
Linda
Viva.
Tem me trazido de volta
Para a apreciação
Para o encantamento
Para os detalhes
Que fazem minhas narinas abrirem
E pupilas dilatarem.
Para tudo
Que aqui existe.
Que saudade que estava desse lugar.
Que saudade que estava desse estado.
Que saudade que estava dessa forma
De estar aqui.
O mistério tem me deixado novamente
Curiosa.
Ainda cuidadosa.
Não mais de receio.
Cuidadosa
Pela beleza e preciosidade
Desvendada.
O cuidado daquele que ama.
Que saudade que estava disso.

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 30 de janeiro de 2022

Graça

Música: Ver em cores (Rashid part. Liniker)


ando tão esquisita
vivendo uma vida sem sentido interior
sem sentido prático, vivido.
incompreensivelmente os dias têm passado
quase me levando pelo seu vento ligeiro
e eu com os pés fincados no chão 
vendo tudo passar
a me balançar de um lado para o outro
os joelhos a se dobrar e quase cair no chão.
levados pelo vento ligeiro que passa.
passa
estranhamente como essa vida dentro.
fora, tudo acontecendo normalmente em
seus ciclos.
dia-tarde-noite.
primavera-verão-outono-inverno.
inferno
que se demora aqui.
invernando nesses dias solares
que me derretem deixando sem forma,
esquisita.
por não entender o que se passa.
vivendo o outro lado da moeda.
um novo olhar.
quase presa em cara
estática para a fotografia que vai se
desbotando com o passar dos dias.
dos ciclos de dentro
que começam a ser reconhecidos por aqui
também.
uma forma desagradável que atuo na vida.
bruta:
com a lança em riste.
a ponto de ferir alguém 
(se é que não feriu).
*susto*
rígida:
ao me perceber querendo viver 
dentro de um quadrado 
estático. 
*risos e mais risos*
desarmada com o susto e riso do ciclo 
bruto,
rígido
percebido.
enquanto olho para as mãos.
enquanto olho para frente.
me desarmando com observação,
bom humor.
desavexando,
seguimos.

Jessika de Sousa Macedo

domingo, 26 de dezembro de 2021

Vida

O que percebo é que há vida pulsando 
incessantemente dentro 
e essa vida tem vida própria. 
Ela não para e não inicia 
ao passar por lugares e pessoas. 
Ela está ali, 
disponível, 
exposta. 
Passando. 
E esse corpo que faz parte dela 
experiencia sensações, trocas, outras vidas. 
Percebo que tenho vontade de mostrar 
meu mundo inteiramente para algumas pessoas. 
Percebo que posso mostrar a qualquer pessoa. 
Não há verdadeiramente algo a temer 
nessa história que meu mundo conta. 
É uma história como outra qualquer. 
E me vejo querendo compartilhar 
esse mundo com alguém. 
E me dou conta então que isso 
poderia acontecer com qualquer ser, 
qualquer objeto, qualquer conhecimento. 
Esse querer mergulhar. 
E então porque um ser específico me fisga? 
Eu não sei. 
Porque quero ainda voltar, 
sabendo que posso ter 
e fazer tudo isso em qualquer lugar. 
Então por que você? 
Eu não sei.. 
Eu sinceramente não sei. 
Não sei por que querer voltar a visitar o seu mundo. 
E sinceramente não sei se importa muito 
saber exatamente o porquê. 
Ou importa? 
Acho que a questão é o que quero fazer com isso que me chega. 
Saber o que não quero. 
Percebo então que posso querer me demorar em algumas pessoas ou não.
E saber se me querem também em seus mundos
por perto.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

reconhecimento

vivi um sonho - poesia
contigo.
tudo que de melhor existia aqui
dentro
vi saindo.
foi expresso
fora
em palavra
em ação 
em não ação.
externado.
vivido.
pôde experienciar
tudo que tinha
naquele momento.
hoje percebo
que tinha mais.
não me deixei atravessar
completamente.
não sei o que seria
se acontecesse.
se nós permitíssemos 
nos atravessar mais um pouco,
atravessar o medo de fazer diferente
daquilo que aprendemos o que é viver.
não sei se o sonho que tínhamos 
de envelhecer lado a lado
passaria a ser real.
mas e o que é mesmo real
para a mente?
em certos momentos acreditei
nesse momento de termos
atravessado até a velhice.
sim.
eu vivi uma vida - poesia.
amei além do que imaginei
ser capaz.
amei ‘até doer’
amei até sumir
amei no transbordar 
amei no silêncio 
amei no caos
amei na paz
e continuo amando.
como não amaria?
pude, ao seu lado, estar mais próxima de mim.
pude estar próxima de ti.
decidindo olhar de frente muitos medos para isso.
como não amaria?
e eu só agradeço por essa
vida - poesia.

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Assim como as palavras rimadas que escrevo
não são minhas.
As palavras que digo também não.
Não quer dizer que não me responsabilizo por elas.
Palavras faladas
Palavras escritas.
Fazem parte do que vivo
das experiências que passo 
e
elas estão ali.
Compondo também essa canção -
vida.
Dando cor.
Dando brilho.
Dando graça.

Não são minhas.

As uso.
As pronuncio.
As escrevo.
As vivo.
Elas passam por mim
como um vento vendaval -
brisa.

Passam.

Jessika de Sousa Macedo

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Dança dos elementos

Dentro
Água que corre.
Fora
Fogo que consome
Da terra revestida também.
Criando a possibilidade
Do toque.
Terra que acolhe
Terra que alimenta
Terra que nutre
Terra que sustenta.
Em uma dança
Assim se fez.
O cortejo do início
À meia noite.
Nos rodopios incentivados
Pelo vento.
No descanso sob o céu
Negro
Estrelado.
Um descanso
No peito embrasado.
E assim se fez
A dança dos elementos.

Jessika de Sousa Macedo