quinta-feira, 8 de junho de 2023

Hoje pela manhã despertei com um barulhinho na janela. Percebi que ainda não havia amanhecido, pois a luz do sol ainda não invadia as frestas da janela.
Fui em direção a ela e quando abri, me deparei com um beija-flor que balançou sua cabeça inquietamente em minha direção. Não entendi bem o que queria, até que ele entrou no quarto junto com a brisa da madrugada e foi em direção à porta. O segui. Ele me levou até a porta que dava acesso ao quintal. Quando abri a porta, a casa foi invadida por uma corrente de ar gélido que me fez arrepiar. Mas olhei para o pequeno que insistia que o seguisse. Saí de casa, então. 
Lá fora estava tudo tão quieto, parado. Exceto pelos gatos e cachorros que perambulavam a cidade. A cada passo que dava, ia percebendo a arquitetura das casas, as árvores, a paisagem de um modo geral, do lugar que passava todos os dias. O pequeno me levou para um tour pelos lugares que sempre passei, mas que nunca percebia.

Jessika de Sousa Macedo

(passando por escritas antigas neste feriado)

terça-feira, 30 de maio de 2023

Ô seu moço
da fala doce,
em seus lábios têm mel?
Me diga quanto mais
de doce, senhor, há nesse céu?
Nessa boca azulada
nesses lábios carnudos
nessa língua de seda
há também um abelhudo.
Como que faz, seu moço,
pra abelha zumbiar
e só aparecer, seu moço,
quando chamada ela for?
Deixando o mel transbordar
dessa boca céu
que os ouvidos amansam
ao sentirem o mel.

Jessika de Sousa Macedo


amor é aquilo que quero expressar e não o faço. de alguma forma associei a algo proibido. sou agressiva, então. mostro o seu inverso, por vezes. o seu outro lado. chuto o pau da barraca por achar não poder abraçar, abrigar. brigo. com o outro. comigo. abrigo. do jeito que consigo. depois de passar por esse lugar de proibição. ele sai. ainda assim ele sai. ele é forte para ficar aqui preso. ele é muito para não transbordar. só queria que fosse uma resposta direta. sem passar pelo campo do proibitivo. na espontaneidade que tento camuflar. que sai entrecortada, trepidada, desajustada com aquilo que é.
tô tentando entender que não cabe aqui.
não de encaixar.
de não querer mesmo.
já tinha me dito isso antes.
ô teimosia,
ô insistência em acreditar naquilo que
não é visível.
enquanto a realidade tá que se esfrega
na minha cara.
me dizendo a todo momento.
não.
não quero você em meus dias.
não.
não quero você em minha vida.
não quero me relacionar com você.
e eu insisto,
fecho os olhos e finjo,
finjo tanto que acredito não ver
os seus nãos.
ô dificuldade!
que insistência é essa?
em acreditar no que não está visível?
em que momento viu ou vê esse sim?
não entendo e não enxergo de verdade.
onde está agora?
ela?
o sim?
o quero?
nada.
nem seu nome na boca dela
é pronunciado.
só vejo o não.
bem visível.
só vejo a distância também.
esses (agora) vejo bem.
você não?!
o que vê?

marte na 12 e falta de B12.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Os meus pensamentos fluem em rimas,
Palavras soltas que se combinam,
Numa dança suave de poesia,
Expressando toda a minha energia.
Cada verso é um pedaço de mim,
Uma história que não tem fim,
Uma reflexão que trago no peito,
Um sentimento que me faz sujeito.

Não é fácil expressar em rima,
Tudo aquilo que a alma estima,
Mas é na escrita que encontro voz,
E faço dos meus pensamentos algo grandioso.

Assim, vou seguindo a vida a rimar,
Deixando as palavras me levar,
E assim, quem sabe, possa inspirar,
Alguém a também se expressar.


(feita pela IA)

sábado, 15 de abril de 2023

Percebo que alguns temas ainda têm me acompanhado e as tecnologias de comunicação é um deles. Talvez por vivenciar essas mudanças e não acompanhar. E aqui tentando fazer a minha leitura disso tudo dentro do meu ínfimo mundo. Me ocorreu a imagem das redes como uma ampliação da família (olhando o sentido figurado que é um "grupo de pessoas unidas por convicções, interesses ou origem comuns"). Como se passássemos o compartilhar de nossas vivências de dia-a-dia para as redes, com todas as pessoas. E me surgiram duas perguntas. Se essas vivências passam de fato pelas pessoas que estão em nossos dias, como está a nossa relação com os próximos da gente? Ela é existente? E a outra pergunta foi se estamos conscientes de que estamos acrescentando inúmeras pessoas em nossa família? Ampliando nossa família (não no entendimento do que é família, mas em pessoas mesmo) com as redes sociais e não apenas jogando assunto ao vento.
Lembro de quando elas começaram e compartilhávamos alguns poucos pensamentos, questões, conversávamos e, por vezes, conhecíamos novas pessoas que, às vezes entravam para esse ambiente. Hoje, nossa intimidade se abriu e qualquer pessoa pode passar por esse ambiente. As pessoas que participavam desses conteúdos se ampliaram. E a gente gera conteúdo pra caramba no nosso dia. Já parou para reparar? E hoje a gente formalizou esses conteúdos e monetizou. Me surge uma outra pergunta, se há aprofundamento, envolvimento com esses conteúdos, se a gente vive eles? Ou a gente só achou um jeito de monetizar o que poderia ser a vida? E aqui não vou dizer se é ruim ou bom ou outra coisa. Estou pensando se estamos realmente acompanhando essa mudança e consciente dessa ampliação de conteúdos que lidamos no dia-a-dia, dessas novas pessoas na família e da nossa relação com quem está próximo.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 31 de março de 2023

 Essa semana tem me rodeado o pensamento da coisa simples..

Ô trenzin que por vezes é complexo de falar, risos. Indo de encontro com o próprio nome e propósito (?!). Talvez tenha me rodeado por questões pessoais atuais e também coisas externas a mim. A começar pelo pensamento que me ocorreu, após meu primeiro dia de aula em uma disciplina isolada de Graduação que estou cursando, na tentativa de me aproximar do curso e ter o mínimo de decisão na entrada ou não no curso em si. Sobre estar, agora, tentando “começar” uma possível caminhada dentro daquilo que me revira, que me anima pegar pra saber. Em tese, olhando para o que o meio social cobra, em minha idade seria o momento de consolidação de carreira. Talvez um mestrado ou um doutorado. Graduação? Me fez o questionamento uma pessoa próxima. Pois é. Nem todo mundo, nesse mundo “novo” tem a realidade de passar pelas fases da vida como o esperado. E o que seria mesmo esperado? Esperado? Talvez em tempos atrás fosse mais simples caminhar pelos ciclos.
Aqui entra a coisa simples.
Em tese, uma pessoa, uma sociedade saudável, assim como a natureza, seguiria seu tempo dentro dos ciclos naturais. Mas até onde pude pegar, não vivemos em uma sociedade muito lá saudável. Tem muito percalço no caminho que vai afastando a gente desse natural, desse simples. E fica cada vez mais difícil encontrar pessoas que estão seguindo a vida nesse fio. O que nos deixa ainda mais distante.
Essas pessoas que seguem nesse fio existem e por vezes são incômodas. E diria que exercem uma atividade hercúleo de se manter nele e solfejar a lembrança do objetivo, o propósito de cada coisa.
Isso me lembra de Hannah Arendt, ou do que entendi do pensamento (fica aí a crítica para os especialistas, que não é a minha realidade), sobre o caso de um funcionário público que esqueceu da essência de seu papel e até de sua humanidade, lá naquele período de asfixia em massa de grupos considerados erráticos. Esse é o fio que falo. Dentro de cada dever, de cada papel, de cada compromisso que a gente tem aqui. O propósito de cada um. A objetividade e simplicidade ao desempenhar eles. E a responsabilidade que eles nos trazem também.
Talvez em sociedades antigas (e em comunidades tradicionais) isso era (é) muito bem definido e desempenhado. Talvez tivessem pessoas e sociedade mais saudáveis. E nesse momento atual parece estarmos imersos a fantasias, a megalomanias. Talvez por essa mudança na forma de se fazer as coisas. Avanços tecnológicos, aproximações com novas formas de comunicação (não necessariamente na comunicação em si), mudança na forma dessa comunicação, conhecimentos antigos sendo testados e comprovados por outras formas substanciais (trazendo essa ideia de novos conhecimentos), “mudanças” de visões (e vou parar de pensar por aqui para dar continuidade a ideia). E aqui não estou dizendo que o antigo ou que essa mudança é algo ruim ou boa. Mas talvez não estejamos sabendo lidar de forma saudável com essas transições. Como se estivéssemos cada vez mais perdendo esse fio que nos constitui (não sei se seria esta a palavra) e estamos nos afogando. Como se estivéssemos avançando de forma desenfreada, sem um mínimo de estrutura, sem olhar o que está sendo construído e para nossas ações. Que caminho estamos tomando?
Uma cena para ilustrar toda essa escrita e que foi a cena que me fez golfar essas palavras que estavam girando no meu estômago, foi a participação do Pedro Cardoso na CNN. Ao fazer o ato simples de questionar. Questionar a sua participação no programa, o jornalismo, a sua qualificação (técnica) em julgar a nomeação de Dilma, enfim. Como um questionamento simples para a (autor)responsabilidade.
E aqui não julgo quem esteja e seus motivos de estar longe da simplicidade. Eu estou aqui bebendo bons goles d’águas em várias áreas. E tentando respirar e enxergar a cada gole. Estou aqui tentando trazer alguns recortes daquilo que enxergo no momento e tentando pensar sobre eles e fazendo o convite também para quem queira e esteja disposto a pensar.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Poderia ser uma carta

dia desses vi uma outra parte tua.
já tinha a visto antes,
como uma pincelada
de leve,
e não com tanto interesse como agora.
fiquei me perguntando se
ela se relacionava comigo.
se ela era quem mais
se relacionava comigo.
quis puxar pra perto.
passar os dedos pela pele
para ler, feito braile.
literalmente.
não sei se se apresenta muito
com ela.
fiquei me perguntando
se me relaciono contigo com apenas
uma parte sua.
a que não se apresenta quando
estamos em contato.
fiquei me perguntando  também
que parte minha mais se relaciona
contigo.
no desejo de que todas elas
se sentissem livres para
se relacionar.
de forma amorosa.
mesmo a mais raiventa.
mesmo a mais zueira.
que partes invocamos na gente
e uma na outra ao nos
relacionarmos?  

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 10 de dezembro de 2022

pele adormecida

um belo dia de sábado 
despertei cedo
como a muito tempo não fazia.
acordei e logo fiquei sonolenta e
chateada por não conseguir levantar.
mais uma vez.
mal sabia eu que naquela
manhã meu corpo acabara de despertar.
minha pele voltara a respirar.
como a um tempo longíquo.
eu, adormecida por aquela manhã gostosa
e meu corpo despertando
de um sono profundo reparador.
sentindo tudo que o tocava.
trazendo a memória todos os toques.
até aqueles que julgava não poder
mais sentir.
e lá estava ele.
despertando naquela manhã de sábado
de (dez)embro.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

asfixia

quem és tu, ansiedade?
o que tanto buscas?
que pressa é essa que passas
por aqui?
para um pouco.
senta.
respira.
o que tá vendo do lado de fora?
o que tá sentindo do lado de dentro?
tem medo de algo?
tá fugindo de algo?
o que acontece por aí?
não precisa me responder.
mas diz pra você.
do quê?
o quê?
senta aqui.
respira.
o que cê tem se contado?
quais histórias diz sobre você?
quais histórias diz para você?

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 19 de novembro de 2022

Universo das palavras

onde tudo quer ser dito
e nada se diz
feito céu nublado
nuvens carregadas que passam
sem cair uma gota d’água.
só ameaça chuva
sem chover.
feito copo que transborda
e não derrama uma gota
se quer.
hoje estou me sentindo assim.
cheia.
querendo esvaziar.
e sem saber por onde.
pelo corpo?
pelas ações?
pelas palavras?
faladas.
escritas.
por onde?
e o silêncio se faz presente
no barulho.
nesse ruído quase
palpável.
tangível.
dançante.
me tira pra dançar, barulho?
deixa eu te escutar.
deixa eu te transpirar.
colocar para fora
aquilo que precisa dizer.
deixa eu te escutar.

Jessika de Sousa Macedo 

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

17/3/2021
O que percebo estando aqui. Que as regras, as culturas, os livros talvez surjam, existam para que consigamos viver aqui. Talvez para entender que somos diferentes, que mudamos a todo tempo em algum ou alguns aspectos, que as coisas são cíclicas. E vejo que as culturas, livros, estudos que seguem de alguma forma, por exemplo, a ciclicidade do tempo tenha se inspirado e não se separado da natureza, de tudo que existe aqui. Falo isso observando comunidades, os animais de poder, a astrologia, os arquétipos de forma geral, a psicologia, psicanálise, algumas medicinas indígenas (falo algumas por não conhecer todas), a bíblia e tantos outros. Observo como um banquete para você escolher se quer se alimentar de algum, se quer degustar, se quer se alimentar de tempos em tempos em um, em outro. Bom, o prato você quem monta. E vejo também um querer impor dieta para o outro, negar a fartura, a possibilidade de escolha dentro daquilo que faz sentido. Cada cultura tem uma especificidade, cada grupo tem um tipo de vivência, cada pessoa tem uma realidade. É difícil e invasivo ditar de cima para baixo uma regra, a sua regra para uma pessoa, para um grupo ou grupos. Achei que a ideia de um banquete fosse de encontro, de passar o prato, uma panela para o outro se servir quando solicitado, para trocas, conversas, comunhão. Acho que todas as opções são válidas, desde que não te coloque ou a coloque como regra, como ditadura, como única realidade. Se você decide ter uma relação com uma cultura como forma de ditadura, é sua escolha própria e individual. Acho importante lembrar que a partir dessa decisão, você também não tem o direito de colocar outro ser para viver com você essa regra. Ela é individual, é subjetiva, é regra solo. Já temos as regras sociais, que partilhamos com a intenção da boa convivência no coletivo. Vejo uma tentativa de misturar áreas que funcionam de forma diferente. O objetivo (como regras sociais, leis) funciona de uma forma e subjetivo (como escolhas de vida individual, cultura) de outra. E olha só que interessante, elas não precisam se anular para funcionar. O mundo é grande e existem e deve existir sociedade que vive de forma aproximada daquilo que você acredita. Enquanto escrevo, penso que talvez sejam coisas óbvias e daí lembro que pessoas têm diferentes vivências e que o óbvio não é tão óbvio assim. E ele se apresenta de diferentes formas o que, talvez, o torne menos óbvio, risos.
Uma coisa que observo em todas elas. Uma tentativa de harmonia. Nos arquétipos, na astrologia, na bíblia, nos povos originários, nos povos tradicionais, na psicologia, na ciência (com a busca por entender os diversos organismos e com a criação). E o que vejo também é o efeito contrário ao eleger uma supremacia. E o que acho engraçado é que dentro delas já informa que a harmonia vem com o funcionamento de todos os aspectos que compõem aquela cultura, grupo, religião. Informa que excluindo, abafando, cancelando um ou mais de um aspecto o resultado é o adoecimento. Por exemplo, no catolicismo há os 10 mandamentos, na astrologia os 12 signos, mais XX planetas e XX casas, na psicologia também são observados aspectos, cada cultura tem seus rituais que são feitos de forma completa, o próprio corpo humano para ser saudável precisa que todos os órgãos estejam em funcionamento. Se um aspecto não é levado em consideração, se elejo apenas uma parte do corpo para cuidar o corpo inteiro adoece. Inclusive aquela parte que elegi. Acho que uma das perguntas feitas ao longo da história foi a de como viver em harmonia? Acho interessante olhar para todas as respostas que cada geração, que cada realidade deu e trabalhar em cima delas.
E, contribuindo um pouco com esse trabalho, venho lembrar que a exclusão e a supremacia são caminhos extremos. São extremos que vivemos e estamos vivendo e que trouxe e traz guerra, mortes não naturais e não trouxe harmonia (alquimia, equilíbrio, meio).

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Kairós

não,
eu não sei o porquê
que ocupou mais espaço interno
que imaginei alguém poder ocupar.
assim.
talvez a psicologia
ou a espiritualidade
ou os karmas
ou sei lá quem ou o
quê
expliquem.
e eu
não tenho conhecimento
de nada disso.
e nessa altura do campeonato
em quê me valeriam
esses dizeres?
essa minha mania de querer
racionalizar tudo.
daqui
somente escuto.
de dentro pra fora
de fora pra dentro.
o que meu corpo diz
o que sinto ao assistir
você se mover
e as circunstâncias
que nos aproxima mais
que o esperado.
só escuto.
escuto o desejo também
e o afirmo.
sim.
te desejo.
sim.
te sinto.
sim.
me interesso.
sim.
te quero parceria.
sim.
brilho ao te saber.
e dentro do lugar que me cabe
escolher.
eu escolho
permanecer.
aqui.
ao teu lado também
ser.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Batuque

Sentada, em minha companhia, estive
na intenção de integrar tudo
o que foi.
Todas as negações do sentir
Todas as invalidações do corpo
que a mente aprendeu.
E repetiu.
E silenciou.
E estressou.
E quase colapsou.

E o que ficou.
Distante.
Queimando.
Ardendo.
Gritando.

Tive medo dessa luz 
que me queimava,
que ardia pela
intensidade
incandescente.

Tive medo da força
que é assumir o que sinto
que é validar todo meu corpo.

Aprendizados.

E cá estou eu
me queimando em
palavras.
Nesse crepúsculo.
Nesse momento zero
Marcando o
fim
e o
início
desse (re)conhecimento.
Banhada em lágrimas
indicando a saudade,
a felicidade do
encontro.
Que fez o coração
vibrar
Em um sonido
tranquilo e
acalentador de
amor,
Amor.

Jessika de Sousa Macedo

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Música: Você sorrindo (Dani Black)


você toca no mais profundo 
do movimento da dor.
- transformação -
talvez daí venha a dificuldade 
em me dizer.
só enxergava o duro
deixando a criação de lado.
as possibilidades de ver além 
daquele concreto
e
o que dela poderia vir a ser.

e no som.
grave,
vibrante.
na pele.
suave,
delicado.
ficava à flor da pele.
surda
a cada contato.

a cada contato,
ondulações gigantes,
sem controle.
levando o que tivesse pela frente.
o vento breve de uma inspiração profunda 
não eram capaz de suavizar.

claro.

jorrar como vinha para mim
não era opção.
duro demais.
profundo demais.
águas que nem eu
ousava mergulhar.

e essa mania de querer colocar
o outro em meu lugar
de ação sem nem 
perguntar.

daqui,
eu não desejaria nada menos do que isso. 
que a sua vida seja sua. 
que a minha vida seja minha. 
e que talvez possamos nos encontrar 
nesses mergulhos,
nessas criações.
e voltar.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Vivo em constante contato com a morte. 
Não sei se ela me seduz. 
Se ela me testa. 
Sempre sinto sua baforada em meu rosto. 
Poderia dizer que é gélida. 
É quente - eletrizante. 
Quente como sangue fresco. 
E ela me ronda. 
Talvez esperando meu passo. 
E esse é o único flerte que sei o fim. 
Para quê dar o primeiro passo. 
Olho. 
Observo. 
Vejo o que vem de lá. 
Apenas assisto. 
Aproveito a brincadeira do flerte sem iniciativa. 
Como espectadora. 
Prefiro esperar que dê o primeiro passo.
Prefiro acompanhar todas as jogadas. 
Para quê antecipar a jogada? 
Para quê acabar com a brincadeira antes do tempo? 
Não. 
Prefiro esperar todo o jogo acontecer. 
Aproveitar. 
Rir. 
Chorar. 
Gritar. 
Me calar. 
Gemer. 
Respirar até o último fio de ar.

Jessika de Sousa Macedo