domingo, 25 de junho de 2023

Fantasmas

O que fazer quando os detritos
voltam?
E chegam espetando, machucando,
gritando a sua presença
nada
agradável.
A gente tá lá vivendo e de repente
boo.
A falta de manejo em lidar
com as relações de forma inteira
bate à porta, te esfrega na cara e
te faz sentir perdida.
Difícil pós tantos anos vivendo
pela metade e agora querendo
mostrar a outra parte e não se estabanar.
Fácil e dolorido recorrer ao que já é vivido,
conhecido por esse corpo físico/emocional.
Eu só queria um respiro,
uma palavra
ou
alguém que pegasse um pouco
na minha mão.
Um abraço.
Uma folga.
Pra viver assim, inteira e
me sentir amada.
Me sentir segura.
E mais uma vez os detritos vêm.
Me mostrando o caminho já percorrido
na casca.
Dentro da falsa segurança.
Me fazendo duvidar mais uma vez que posso apenas ser.

Jessika de Sousa Macedo

—-
nesses últimos dias a pergunta que mais me tenho feito é o que quero fazer estando aqui? parece simples e é tão imenso que minha mente não consegue acompanhar respostas. e quando olho para fora vejo pessoas, ações que dentro faz vibrar. não sei o que quero fazer estando aqui. mas há alguns lugares e ações onde quero estar. acho que o que me afasta dessa pergunta seja por sempre me colocar fora daqui. sempre admirando pessoas, sempre incentivando pessoas, sempre dando suporte a pessoas. nunca parei para me olhar. olhar como atuo, o que faço, o que já fiz. sempre estive fora. e o engraçado que é muito confortável olhar para mim dentro de emoções, pensamentos, imaterial. mas não me ver corporificada. como uma agente de fato. mesmo sabendo que minhas ações aqui têm algum impacto, mesmo procurando colocá-las dentro do que acredito e penso e sinto, ainda assim não era capaz de olhá-las de fato. parece até ilógico isso. e isso, de certa forma, é como também não olhar de fato para as pessoas que recebem essas minhas ações. elas são vistas, são pensadas antes e no momento, mas não no que fica, no depois. como se eu desaparecesse feito fumaça. me esquecendo que mesmo fumaça deixa cheiro, impregna. mais uma vez me descorporificando, me tirando daqui. sem perceber que as pessoas também me veem. sem perceber aquilo que influencio. e o mais engraçado disso tudo é que eu anseio por estar aqui. sem perceber que já estou. 
como se tivesse vivido o que de fato queria na imaginação por achar que não podia de fato viver que esqueci de sair de lá. que esqueci que não estou lá. que a vida não acontece lá. sinto saudades de viver uma vida-poesia. de tirar meu coração pra dançar na vida. de tirar meu coração pra dançar nas palavras. de tirar meu coração pra dançar nas ações. sinto falta da vida. mesmo estando nela.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

a message to myself

Querida Jessika, escrevo na intenção que tenha um norteador para as possíveis crises. Para que se lembre de seu caminho, de suas descobertas. Para que dê continuidade e se voltar, que seja por escolha e não por esquecimento. No mais, que tenhamos sempre contato, intimidade. Ficaria feliz se me escrevesse no futuro contando as mudanças e não mudanças. 
Com carinho,
 
Jessika


Inicio falando sobre os inúmeros pensamentos desordenados que querem participar dessa mensagem. Na intenção que se acalmem, comentarei sobre como surgiu a vontade de te escrever. A alguns dias a vontade ficou mais clara. Queria fazer algo com tanto pensamento, ideia, vivência e não sabia o quê. Foi aí que pensei. Por que não uma carta? Algo que me é tão familiar.
No início desse ano de 2020, precisamos ficar isolados por causa de um vírus. Ficar em casa não foi uma questão. Até gosto de ficar em casa em certos períodos. Porém esse mergulho foi profundo. Foi um período de assentamento, de “organização” do que se passou até aqui. Talvez daí venha, também, a ideia de escrever.
O que mais retornou nesse período de isolamento foi a simplicidade, que acabou sendo uma grande questão. Contraditório? Talvez.
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Parece que é “mania” começar complexando. E me pergunto qual o motivo das pessoas complexarem as coisas simples? Vejo o ser humano como um ser previsível e mais simples, em essência, que parece. E foi criada essa mania de complexar, dar voltas, na tentativa de falar o que é simples. O simples não dá volta, é direto, cru, puro, sem cascas. Os animais precisam de abrigo, alimento, cuidado, espaço, socialização, expressão. O animal humano e não humano. O não humano é simples, direto, é. O humano criou a mania de complexar. Não sei como iniciou essa mania e não sei se há a necessidade, agora, em saber. Talvez foi visto como necessidade no momento de sua criação. Hoje, me pergunto se é necessária. Lendo algumas escritas fico me perguntando sobre toda essa fantasia criada. Vamos pegar o complexo de édipo, a histeria. É complexo mesmo. Só entender o raciocínio te requer energia para acompanhar a dança do raciocínio. Veja a que ponto chegamos. Precisar de algo, alguém com disposição para escutar além da mania (perceba que aqui faço a observação da necessidade que criamos e não da criação em si). Acho que seria menos complexo ir direto no simples. Talvez seja complexo por termos a mania como referência. Fica difícil. E se tirarmos a mania da cena? Ficaria mais claro? Mais nítido? Daria para ver o simples? Como as coisas são, estão? Talvez.
Foi a partir dessas complexações que decidi te escrever. Te lembrar do simples. Do direto. Do caminho sem rodeios. Talvez te leve por uma história. Não estória. História. Para talvez tentar até olhar de forma mais objetiva aquilo que poderia ser mudado. Talvez descobrir novas formas. Não sei bem como será esse caminho. Espero que direto. Sabe, a mania ainda está presente e possa ser, que em algum momento, ela entre em ação. Tentarei manter o foco. Melhor. Tentarei relaxar.
Lembro que essa vontade de te escrever uma mensagem surgiu enquanto limpava o quintal que os gatos ficavam. Nesse momento, lembrei que olhava para algumas situações que poderiam ser simples e que tornávamos quase inalcançáveis. Lembro de nesse dia não achar de um todo ruim essa mania. Como dito anteriormente, talvez tenha sido a forma que encontramos de sobrevivência. Essa complexação nos trouxe comodidades, certo?! Diminuiu a distância lá do conto da Torre de Babel e a distância física também. Inúmeras construções, criações interessantes. Essa mania de complexar nos moveu e continua nos movendo. Hoje, talvez esse “produto” possa ser traduzido como angústia. Não questiono nada disso. Como disse, possa ter sido para sobrevivência e um pouco mais que isso. Podemos pegar como exemplo, o fogo, a domesticação de cachorros e por aí vai. Hoje, o que me preocupa é não só a continuação de nossa sobrevivência, como de todos os outros seres que compartilham o mesmo lugar (físico) que a gente. Hoje, me preocupa o COMO continuamos fazendo o que estamos habituados a fazer.
Olhando um pouco para a história, vejo que a medida que íamos descobrindo, desbravando, não sei se estávamos pensando no todo, no completo. Talvez estivéssemos iniciando a mania de complexar tudo. O modo de viver, de pensar, de criar e fomos criando um muro envolta do simples. Diria até que muros formando labirinto. Fomos cada vez mais nos distanciando dele até o momento em que não o víamos mais. Perdemos o simples de vista. Ele deixou de ser o nosso ponto central a medida que avançávamos.
De verdade?! Acho difícil, hoje, depois de tanta mania, voltar o foco ao simples. Teria que derrubar vários muros até poder vê-lo novamente. Ainda assim, é simples. Precisa saber que ele existe, que ele é sua base e precisa de ação para destruir esses muros. Destruir os muros não significa apagar a história. É destruir a mania, aquilo tudo que aprendeu até aqui. Seria poder agora ter a sua base como ponto focal novamente e a partir dela, olhar para tudo que aprendeu.
Estou percebendo que comecei a complexar a explicação. Vou partir para exemplos, trazer cores para essas linhas.
Podemos pegar como exemplo, as construções daquilo que hoje conhecemos como comunidades, cidades etc.. Sinto que poderia ir um pouco mais atrás na história. Mas vamos começar daqui mesmo. Aprendemos a construir abrigos e fomos aperfeiçoando para aquilo que hoje conhecemos por casa. Vimos que seria mais seguro e confortável ter um local para fazer cocô e xixi dentro desse abrigo. Depois vimos que poderíamos deixar menos sujo e até depois criamos um termo para isso. Higiênico. Higiênico para nós, para o nosso abrigo menor, nossa casa.
Essa escolha inconsciente de iniciar falando da parte sanitária, talvez tenha surgido por estar (naquele momento) limpando o quintal, quando percebi que a água da limpeza ia para a rua que não tinha escoamento. Todas as vezes tinha que também limpar a rua, jogando a água da limpeza no cano, para que a água fosse para o esgoto. Nesses momentos vieram os questionamentos: Limpo minha casa, deixo a rua limpa e quem limpa os esgotos? Para onde é escoada toda a sujeira que faço dentro da casa menor? Quem limpa a casa maior – a Terra? Adianta alguma coisa jogar água para limpar o quintal, mesmo que com produtos naturais, e despejar essa água suja em um copo que já está também contaminado – esgoto? De que forma posso limpar sem continuar enchendo o copo? Usar produtos naturais ajuda a não contaminar, mas continua enchendo o copo. Complexamos tanto a forma que vivemos que às vezes fica – achamos – difícil enxergar o que seria simples.
Criamos algumas casas, alguns locais da cidade com saneamento básico. Uma ideia genial de continuar cagando sem se preocupar para onde a merda vai. E nem todos podem usar essa genialidade criada. Sinceramente, não me preocupa que nem todas as pessoas tenha acesso a esse sistema de descarga. O que me preocupa é que quem não tem, ser o alvo dessa descarga que damos no conforto do nosso lar. E não somente essas pessoas, assim como os outros animais. Seria quase como colocar a sujeira embaixo do tapete, ou ter quartinho da bagunça, porão. Pode chegar um momento em que o porão encha. Quereria que não começássemos a olhar para essa engenharia quando o vulcão acordar e tiver voando merda para todo lado.
A gente não pensa muito nessas coisas. Crescemos tendo como base a mania e não o simples. Não sabemos que existe uma base, uma realidade antes dessa mania. Crescemos aprendendo a dar descarga e pronto. Acho que já passou da hora de crescermos sabendo daquilo que foi criado e daquilo que é o real, o natural. Dá mais acesso para cuidar do todo. Acho que agora seria o momento de repensar a forma que vivemos. Destruir mesmo o que aprendemos. Ter acesso ao cru e começar a viver a partir desse cru. Olhar para a história vivida, as tecnologias construídas e refazê-las tendo esse cru como base. Eu sei que a ideia dessa mensagem é te lembrar da possibilidade de viver o simples, que é o que tudo é. Lembrar também que não vim te trazer soluções. Vim tentar abrir um pouco mais o campo de visão para você poder olhar novamente para o foco principal. A simplicidade das coisas.
Podemos voltar um pouco mais na história. Talvez misture a temporalidade e ainda assim tentarei ser direta nos fatos. Existem estórias que às vezes se misturam na história e, à medida que vão ficando distante, vamos misturando cada vez mais. Trago mais uma vez a domesticação de cachorros. Para que pudéssemos ter algum tipo de proteção, aprendemos a domesticar um animal, que hoje dizemos não selvagem, de diferente espécie na história e decidimos domesticar também os da nossa espécie. Não é meu papel entender e não quero entender, agora, o que motivou esse movimento. Domesticar, conquistar lugares, separar, categorizar, escravizar. Vejo hoje, como desnecessário. Conquistar, separar, categorizar. Se partirmos da ideia que todos habitamos o mesmo espaço maior. A necessidade de proteção é real, de sobrevivência é real. Hoje existem tantas engenharias que daríamos conta de viver no mato (comparando com as ferramentas e conhecimentos que tínhamos antigamente) – não que antes já não fosse possível. Era e ainda é possível. Não estou propondo isso. Estou pedindo para se perguntar o que, hoje, é realmente considerado perigo? Olhando de forma simples. Se perguntar se – essas ideias de que – o outro continente, o outro país, o vizinho é realmente perigoso? Será que não somos nós que estamos dando continuidade a essas ideias sem verificar a fonte? Se é fake news? Onde está realmente o perigo que tanto nos defendemos? E o que esse perigo causaria?
Me questionei e te convido a se perguntar o porquê de ainda dividirmos os lugares? Do porquê precisamos de autorização para caminharmos na nossa casa – a Terra. Até onde sei todos somos considerados terráqueos. Até onde sei todos somos seres humanos. Até onde sei todos somos animais.
De forma simples, vejo nuances. Seja no idioma, seja nas questões físicas. Assim como as nuances das outras espécies. Poderia me perguntar de onde surgiu essa ideia de dividir a Terra por idiomas, por países, por nuances. O que proponho aqui é se perguntar se não seria mais simples deixa-la em sua totalidade. Entendermos as nuances dela também – lugares que ficam mais frio, mais quente, estações etc. A tecnologia ajuda a saber disso. Podemos usá-la para evitar o abuso da terra, para cuidar dela, para nós não sermos o "perigo" para ela, para também suprir nossas necessidades sem abusar dela e privar os outros moradores. Lembrando sempre que a Terra é área comum e a posse dela é ideia criada, não é real. 
Quem me deu autorização para comprar pedaço de terra? E quem deu a autorização da autorização? A terra é de todos. Lembro que foi um pouco difícil entender isso. E aqui, peço que se atenha na responsabilidade que você tem, como moradora (não como possuidora) em cuidar de todos os lugares em que estiver. De norte a sul, de leste a oeste. No fundo, o que precisamos é de abrigo. Nos protegermos das alterações climáticas, de predadores reais etc. como qualquer outro animal. Partindo da realidade de todos serem moradores da Terra, como que posso comprar um pedaço de terra e privar um outro morador da Terra de ter abrigo por não poder comprar também (?!)? Por que alguém precisa comprar terra se todos somos moradores dela? E como que posso desapropriar uma pessoa do seu próprio lar? Veja, não estou dizendo que não pode ter um lar (casa), estou te lembrando a olhar o motivo que ele é feito e da responsabilidade que é estar nessa casa. 
Nossos abrigos são confortáveis, nos protegem de alguns fatores externos só que não são orgânicos como o mais simples abrigo de qualquer animal não humano. Não são eficazes e trazem desordem e sujeira para a casa maior. Só lembrando mais uma vez, se essa sujeira continuar crescendo chegará na casa menor, engolirá os abrigos modernos. Tenho consciência que vários moradores não conseguiram ver o simples. Não tiveram, não sei se oportunidade seria a palavra, como ampliar a visão de tão alto que é o muro. E nesse sentido, vejo a importância de destruir esse muro. Poderíamos voltar na história mais uma vez. E inspirada por esses muros altos, fui levada a lembrar dos impérios, da monarquia, das autoridades eclesiásticas. Da complexidade dessas instituições que distancia o simples. Fiquei tentando imaginar o tamanho desses muros.
Fiquei pensando sobre a fé, a crença que fomos criando ao longo das eras que nos distanciaram do nosso ponto focal. A simplicidade. Aqui não questiono se foram necessárias. Questiono se elas não continuam nos distanciando do real. Como alguns seres foram considerados mensageiros daquilo que era divino? Achei que todos fossemos divinos, se partirmos da própria ideia da igreja. Somos provenientes de deus. Por que continuamos separando o que é sagrado e o quenão é? Quem tem ou teve o poder de definir quem e o que era divino? E quem teve o poder do poder? Mais uma vez vejo uma criação excludente. Que nos distancia do simples, constrói muros. Muros até entre as nuances das diversas crenças. Te convido a se perguntar se a sua crença te distancia ou aproxima daquilo que é simples? A tua fé te castra, te coloca distante daquilo que você é? Ela te faz acreditar que ela é a única dentro desse mundo?
Criamos inúmeras estórias, contadas como histórias, até aqui. Poderia até dizer que seria uma baita caminhada desconstruir tudo. Acho que seria mais simples ser o que se é. Simples. Respirar e tentar tirar a complexidade da frente. Narrar os fatos como são.
Temos aqui uma outra muralha, o mercado, a mídia. Aquela que dissemina o muro como algo real. E é também aquela que pode ser utilizada para destruir o muro, nos ajudar a ver o simples, assim como a espiritualidade.
Falando na espiritualidade, na mídia e no mercado. Sei que é um assunto delicado para você e que te toca. Só lembra de olhar com objetividade para aquilo que acredita. Lembra que as instituições criadas aqui são falíveis, que aqueles que estão à frente delas também o são. Lembra de observar se está defendendo e agindo a partir dessas instituições e pessoas. Lembra que o ponto focal é a simplicidade. Há tempos usamos contos, fantasias para falar do simples. Nos perdemos nas histórias, tomamos como verdade estórias e escondemos o principal. O cru, o objetivo. Lembra de verificar se o que está chegando é nu, direto. Se o que chega tem a fantasia como ponto focal ou se quando chega colocamos a fantasia como ponto focal. Existem ferramentas, sabedorias milenares, saberes tradicionais que parecem complexas e que são simples. Sua base é simples. Como temos usado essas ferramentas, esses conhecimentos? Eles te auxiliam na vida ou ditam a sua vida?
Lembra de procurar conhecer. De ir atrás do conhecimento. Lembra de parar, de respirar e procurar o obvio por trás. E se não encontrar, se afasta um pouco, respira, espera e volta a olhar com objetividade. Hoje, talvez seja difícil saber com exatidão o que é história e estória. Muito foi construído, muito foi modificado, muito foi inventado. Acho que o início seria tirar os excessos. E podemos tirar os excessos indo atrás daquilo que é necessário. Apenas o necessário no momento. O conhecimento traz clareza, tira a sombra feita pelo muro. O que é mesmo necessário? Por que você faz o que você faz?
Uma das ações seria conhecer, entender o sistema ao qual está vivendo. As regulamentações, os acordos, as leis que norteiam essa estrutura. Conhecer para poder olhar de forma objetiva, participar (se for de desejo), se posicionar, não ser usada por ele. Deixá-lo mais simples, funcional, orgânico, dinâmico em seu dia-a-dia a partir do entendimento de como ele funciona. Poder questioná-lo, ajudar a reorganizá-lo, se preciso. Lembrando do ponto focal, das necessidades básicas dos seres moradores dessa Terra. Fazendo seu dever em respeitar essas necessidades – abrigo, alimento, cuidado, espaço, socialização, expressão – suas e do outro ser. Você está sendo agente ativo ou passivo em relação à sua própria existência e ao que faz dentro desse sistema que vive?
Isso me leva a lembrar da estrutura de comunicação que vivemos hoje. As redes sociais. A vida baseada naquilo que é compartilhado, naquilo que você consome a partir desses transportes informacionais. E, da também responsabilidade ao publicar algo. Vejo um crescente fazedor de necessidades irreais e que podem colocar aquilo que realmente importa em risco. Um exemplo prático e recente para ilustrar: um anúncio, em meio a pandemia, informando pequenos locais que estavam sem o foco do vírus e que estavam com o aeroporto aberto. O anúncio cria a necessidade de viajar, mexe com a necessidade real de abrigo das pessoas. Perigosa e irresponsável, eu diria, por colocar em risco quem fosse viajar e os moradores desse suposto abrigo seguro (sem foco do vírus). Aqui, vejo o mesmo princípio de pergunta: “para que estou publicando isso? “. Essa publicação cria necessidades, mascara a necessidade real? Coloca em risco ou protege? Ela nutre?
Bom, percebi que me alonguei. Para não perder a objetividade, me despeço aqui.
E lembra que essa carta é um registro do seu caminho por aqui e até aqui. Não se prenda a ela, mas se lembre dela. Não, melhor, lembra da simplicidade. 

Com amor,

Jessika

(passeando por escritas antigas neste feriado)

quinta-feira, 8 de junho de 2023

O primeiro segundo beijo

Quem diria que o primeiro beijo
Seria algo complexo.
Iniciou na decisão e terminou na entrega.
A menina saiu de casa decidida a experimentar.
Saber como era isso de beijar.
Lá pelos 15 anos, numa festa de colégio
Em meio a música foi quando aconteceu.
A menina tomada pelos romances Hollywoodianos
Avista o seu príncipe encantado.
Montado à cavalo com sua cavalaria.
Para sua surpresa, o príncipe se aproxima que
Para surpresa maior, dizer que um dos cavaleiros quer beijá-la.
Direta e reta diz estar interessada no príncipe.
Que a pega pela cintura e a beija.
O beijo é parado pela bolada de papel que chega
Voando na cabeça da menina.
Que não sabe se fica puta ou se agradece o
Fim do beijo mais sem graça.
Nada de romantismo.
Agora indignada e sem querer aceitar que beijo seria aquilo
Volta a dançar e procurar aquele que quisesse o mesmo experimento.
Eis que surge um cavalheiro
E a corteja.
Ela, assombrada pelo acontecido anterior
Tem receio.
Mas lembrando da experiência e indignação,
Se joga nos braços do menino.
Se entrega à sorte.
E eis que ela se surpreende com o resultado.
Estonteante, sem saber como aquilo era possível,
Pensa como ainda não havia feito antes?
 
Reflexão:
Quando decide fazer algo, essa decisão te leva a ter experiências. Não necessariamente precisa classificar como bom ou ruim, mas podem vir experiências diferentes, que chegarão de formas diferentes e serão sentidas de formas diferentes. Esse 'como é sentido', normalmente, é o que faz a gente parar ou continuar caminhando. E aí? Parar ou continuar? Não quer dizer que serão boas ou ruins, se machucarão ou afagarão.

Jessika de Sousa Macedo

(passeando por escritas antigas neste feriado)

Hoje pela manhã despertei com um barulhinho na janela. Percebi que ainda não havia amanhecido, pois a luz do sol ainda não invadia as frestas da janela.
Fui em direção a ela e quando abri, me deparei com um beija-flor que balançou sua cabeça inquietamente em minha direção. Não entendi bem o que queria, até que ele entrou no quarto junto com a brisa da madrugada e foi em direção à porta. O segui. Ele me levou até a porta que dava acesso ao quintal. Quando abri a porta, a casa foi invadida por uma corrente de ar gélido que me fez arrepiar. Mas olhei para o pequeno que insistia que o seguisse. Saí de casa, então. 
Lá fora estava tudo tão quieto, parado. Exceto pelos gatos e cachorros que perambulavam a cidade. A cada passo que dava, ia percebendo a arquitetura das casas, as árvores, a paisagem de um modo geral, do lugar que passava todos os dias. O pequeno me levou para um tour pelos lugares que sempre passei, mas que nunca percebia.

Jessika de Sousa Macedo

(passando por escritas antigas neste feriado)

terça-feira, 30 de maio de 2023

Ô seu moço
da fala doce,
em seus lábios têm mel?
Me diga quanto mais
de doce, senhor, há nesse céu?
Nessa boca azulada
nesses lábios carnudos
nessa língua de seda
há também um abelhudo.
Como que faz, seu moço,
pra abelha zumbiar
e só aparecer, seu moço,
quando chamada ela for?
Deixando o mel transbordar
dessa boca céu
que os ouvidos amansam
ao sentirem o mel.

Jessika de Sousa Macedo


amor é aquilo que quero expressar e não o faço. de alguma forma associei a algo proibido. sou agressiva, então. mostro o seu inverso, por vezes. o seu outro lado. chuto o pau da barraca por achar não poder abraçar, abrigar. brigo. com o outro. comigo. abrigo. do jeito que consigo. depois de passar por esse lugar de proibição. ele sai. ainda assim ele sai. ele é forte para ficar aqui preso. ele é muito para não transbordar. só queria que fosse uma resposta direta. sem passar pelo campo do proibitivo. na espontaneidade que tento camuflar. que sai entrecortada, trepidada, desajustada com aquilo que é.
tô tentando entender que não cabe aqui.
não de encaixar.
de não querer mesmo.
já tinha me dito isso antes.
ô teimosia,
ô insistência em acreditar naquilo que
não é visível.
enquanto a realidade tá que se esfrega
na minha cara.
me dizendo a todo momento.
não.
não quero você em meus dias.
não.
não quero você em minha vida.
não quero me relacionar com você.
e eu insisto,
fecho os olhos e finjo,
finjo tanto que acredito não ver
os seus nãos.
ô dificuldade!
que insistência é essa?
em acreditar no que não está visível?
em que momento viu ou vê esse sim?
não entendo e não enxergo de verdade.
onde está agora?
ela?
o sim?
o quero?
nada.
nem seu nome na boca dela
é pronunciado.
só vejo o não.
bem visível.
só vejo a distância também.
esses (agora) vejo bem.
você não?!
o que vê?

marte na 12 e falta de B12.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Os meus pensamentos fluem em rimas,
Palavras soltas que se combinam,
Numa dança suave de poesia,
Expressando toda a minha energia.
Cada verso é um pedaço de mim,
Uma história que não tem fim,
Uma reflexão que trago no peito,
Um sentimento que me faz sujeito.

Não é fácil expressar em rima,
Tudo aquilo que a alma estima,
Mas é na escrita que encontro voz,
E faço dos meus pensamentos algo grandioso.

Assim, vou seguindo a vida a rimar,
Deixando as palavras me levar,
E assim, quem sabe, possa inspirar,
Alguém a também se expressar.


(feita pela IA)

sábado, 15 de abril de 2023

Percebo que alguns temas ainda têm me acompanhado e as tecnologias de comunicação é um deles. Talvez por vivenciar essas mudanças e não acompanhar. E aqui tentando fazer a minha leitura disso tudo dentro do meu ínfimo mundo. Me ocorreu a imagem das redes como uma ampliação da família (olhando o sentido figurado que é um "grupo de pessoas unidas por convicções, interesses ou origem comuns"). Como se passássemos o compartilhar de nossas vivências de dia-a-dia para as redes, com todas as pessoas. E me surgiram duas perguntas. Se essas vivências passam de fato pelas pessoas que estão em nossos dias, como está a nossa relação com os próximos da gente? Ela é existente? E a outra pergunta foi se estamos conscientes de que estamos acrescentando inúmeras pessoas em nossa família? Ampliando nossa família (não no entendimento do que é família, mas em pessoas mesmo) com as redes sociais e não apenas jogando assunto ao vento.
Lembro de quando elas começaram e compartilhávamos alguns poucos pensamentos, questões, conversávamos e, por vezes, conhecíamos novas pessoas que, às vezes entravam para esse ambiente. Hoje, nossa intimidade se abriu e qualquer pessoa pode passar por esse ambiente. As pessoas que participavam desses conteúdos se ampliaram. E a gente gera conteúdo pra caramba no nosso dia. Já parou para reparar? E hoje a gente formalizou esses conteúdos e monetizou. Me surge uma outra pergunta, se há aprofundamento, envolvimento com esses conteúdos, se a gente vive eles? Ou a gente só achou um jeito de monetizar o que poderia ser a vida? E aqui não vou dizer se é ruim ou bom ou outra coisa. Estou pensando se estamos realmente acompanhando essa mudança e consciente dessa ampliação de conteúdos que lidamos no dia-a-dia, dessas novas pessoas na família e da nossa relação com quem está próximo.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 31 de março de 2023

 Essa semana tem me rodeado o pensamento da coisa simples..

Ô trenzin que por vezes é complexo de falar, risos. Indo de encontro com o próprio nome e propósito (?!). Talvez tenha me rodeado por questões pessoais atuais e também coisas externas a mim. A começar pelo pensamento que me ocorreu, após meu primeiro dia de aula em uma disciplina isolada de Graduação que estou cursando, na tentativa de me aproximar do curso e ter o mínimo de decisão na entrada ou não no curso em si. Sobre estar, agora, tentando “começar” uma possível caminhada dentro daquilo que me revira, que me anima pegar pra saber. Em tese, olhando para o que o meio social cobra, em minha idade seria o momento de consolidação de carreira. Talvez um mestrado ou um doutorado. Graduação? Me fez o questionamento uma pessoa próxima. Pois é. Nem todo mundo, nesse mundo “novo” tem a realidade de passar pelas fases da vida como o esperado. E o que seria mesmo esperado? Esperado? Talvez em tempos atrás fosse mais simples caminhar pelos ciclos.
Aqui entra a coisa simples.
Em tese, uma pessoa, uma sociedade saudável, assim como a natureza, seguiria seu tempo dentro dos ciclos naturais. Mas até onde pude pegar, não vivemos em uma sociedade muito lá saudável. Tem muito percalço no caminho que vai afastando a gente desse natural, desse simples. E fica cada vez mais difícil encontrar pessoas que estão seguindo a vida nesse fio. O que nos deixa ainda mais distante.
Essas pessoas que seguem nesse fio existem e por vezes são incômodas. E diria que exercem uma atividade hercúleo de se manter nele e solfejar a lembrança do objetivo, o propósito de cada coisa.
Isso me lembra de Hannah Arendt, ou do que entendi do pensamento (fica aí a crítica para os especialistas, que não é a minha realidade), sobre o caso de um funcionário público que esqueceu da essência de seu papel e até de sua humanidade, lá naquele período de asfixia em massa de grupos considerados erráticos. Esse é o fio que falo. Dentro de cada dever, de cada papel, de cada compromisso que a gente tem aqui. O propósito de cada um. A objetividade e simplicidade ao desempenhar eles. E a responsabilidade que eles nos trazem também.
Talvez em sociedades antigas (e em comunidades tradicionais) isso era (é) muito bem definido e desempenhado. Talvez tivessem pessoas e sociedade mais saudáveis. E nesse momento atual parece estarmos imersos a fantasias, a megalomanias. Talvez por essa mudança na forma de se fazer as coisas. Avanços tecnológicos, aproximações com novas formas de comunicação (não necessariamente na comunicação em si), mudança na forma dessa comunicação, conhecimentos antigos sendo testados e comprovados por outras formas substanciais (trazendo essa ideia de novos conhecimentos), “mudanças” de visões (e vou parar de pensar por aqui para dar continuidade a ideia). E aqui não estou dizendo que o antigo ou que essa mudança é algo ruim ou boa. Mas talvez não estejamos sabendo lidar de forma saudável com essas transições. Como se estivéssemos cada vez mais perdendo esse fio que nos constitui (não sei se seria esta a palavra) e estamos nos afogando. Como se estivéssemos avançando de forma desenfreada, sem um mínimo de estrutura, sem olhar o que está sendo construído e para nossas ações. Que caminho estamos tomando?
Uma cena para ilustrar toda essa escrita e que foi a cena que me fez golfar essas palavras que estavam girando no meu estômago, foi a participação do Pedro Cardoso na CNN. Ao fazer o ato simples de questionar. Questionar a sua participação no programa, o jornalismo, a sua qualificação (técnica) em julgar a nomeação de Dilma, enfim. Como um questionamento simples para a (autor)responsabilidade.
E aqui não julgo quem esteja e seus motivos de estar longe da simplicidade. Eu estou aqui bebendo bons goles d’águas em várias áreas. E tentando respirar e enxergar a cada gole. Estou aqui tentando trazer alguns recortes daquilo que enxergo no momento e tentando pensar sobre eles e fazendo o convite também para quem queira e esteja disposto a pensar.

Jessika de Sousa Macedo

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Poderia ser uma carta

dia desses vi uma outra parte tua.
já tinha a visto antes,
como uma pincelada
de leve,
e não com tanto interesse como agora.
fiquei me perguntando se
ela se relacionava comigo.
se ela era quem mais
se relacionava comigo.
quis puxar pra perto.
passar os dedos pela pele
para ler, feito braile.
literalmente.
não sei se se apresenta muito
com ela.
fiquei me perguntando
se me relaciono contigo com apenas
uma parte sua.
a que não se apresenta quando
estamos em contato.
fiquei me perguntando  também
que parte minha mais se relaciona
contigo.
no desejo de que todas elas
se sentissem livres para
se relacionar.
de forma amorosa.
mesmo a mais raiventa.
mesmo a mais zueira.
que partes invocamos na gente
e uma na outra ao nos
relacionarmos?  

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 10 de dezembro de 2022

pele adormecida

um belo dia de sábado 
despertei cedo
como a muito tempo não fazia.
acordei e logo fiquei sonolenta e
chateada por não conseguir levantar.
mais uma vez.
mal sabia eu que naquela
manhã meu corpo acabara de despertar.
minha pele voltara a respirar.
como a um tempo longíquo.
eu, adormecida por aquela manhã gostosa
e meu corpo despertando
de um sono profundo reparador.
sentindo tudo que o tocava.
trazendo a memória todos os toques.
até aqueles que julgava não poder
mais sentir.
e lá estava ele.
despertando naquela manhã de sábado
de (dez)embro.

Jessika de Sousa Macedo

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

asfixia

quem és tu, ansiedade?
o que tanto buscas?
que pressa é essa que passas
por aqui?
para um pouco.
senta.
respira.
o que tá vendo do lado de fora?
o que tá sentindo do lado de dentro?
tem medo de algo?
tá fugindo de algo?
o que acontece por aí?
não precisa me responder.
mas diz pra você.
do quê?
o quê?
senta aqui.
respira.
o que cê tem se contado?
quais histórias diz sobre você?
quais histórias diz para você?

Jessika de Sousa Macedo

sábado, 19 de novembro de 2022

Universo das palavras

onde tudo quer ser dito
e nada se diz
feito céu nublado
nuvens carregadas que passam
sem cair uma gota d’água.
só ameaça chuva
sem chover.
feito copo que transborda
e não derrama uma gota
se quer.
hoje estou me sentindo assim.
cheia.
querendo esvaziar.
e sem saber por onde.
pelo corpo?
pelas ações?
pelas palavras?
faladas.
escritas.
por onde?
e o silêncio se faz presente
no barulho.
nesse ruído quase
palpável.
tangível.
dançante.
me tira pra dançar, barulho?
deixa eu te escutar.
deixa eu te transpirar.
colocar para fora
aquilo que precisa dizer.
deixa eu te escutar.

Jessika de Sousa Macedo 

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

17/3/2021
O que percebo estando aqui. Que as regras, as culturas, os livros talvez surjam, existam para que consigamos viver aqui. Talvez para entender que somos diferentes, que mudamos a todo tempo em algum ou alguns aspectos, que as coisas são cíclicas. E vejo que as culturas, livros, estudos que seguem de alguma forma, por exemplo, a ciclicidade do tempo tenha se inspirado e não se separado da natureza, de tudo que existe aqui. Falo isso observando comunidades, os animais de poder, a astrologia, os arquétipos de forma geral, a psicologia, psicanálise, algumas medicinas indígenas (falo algumas por não conhecer todas), a bíblia e tantos outros. Observo como um banquete para você escolher se quer se alimentar de algum, se quer degustar, se quer se alimentar de tempos em tempos em um, em outro. Bom, o prato você quem monta. E vejo também um querer impor dieta para o outro, negar a fartura, a possibilidade de escolha dentro daquilo que faz sentido. Cada cultura tem uma especificidade, cada grupo tem um tipo de vivência, cada pessoa tem uma realidade. É difícil e invasivo ditar de cima para baixo uma regra, a sua regra para uma pessoa, para um grupo ou grupos. Achei que a ideia de um banquete fosse de encontro, de passar o prato, uma panela para o outro se servir quando solicitado, para trocas, conversas, comunhão. Acho que todas as opções são válidas, desde que não te coloque ou a coloque como regra, como ditadura, como única realidade. Se você decide ter uma relação com uma cultura como forma de ditadura, é sua escolha própria e individual. Acho importante lembrar que a partir dessa decisão, você também não tem o direito de colocar outro ser para viver com você essa regra. Ela é individual, é subjetiva, é regra solo. Já temos as regras sociais, que partilhamos com a intenção da boa convivência no coletivo. Vejo uma tentativa de misturar áreas que funcionam de forma diferente. O objetivo (como regras sociais, leis) funciona de uma forma e subjetivo (como escolhas de vida individual, cultura) de outra. E olha só que interessante, elas não precisam se anular para funcionar. O mundo é grande e existem e deve existir sociedade que vive de forma aproximada daquilo que você acredita. Enquanto escrevo, penso que talvez sejam coisas óbvias e daí lembro que pessoas têm diferentes vivências e que o óbvio não é tão óbvio assim. E ele se apresenta de diferentes formas o que, talvez, o torne menos óbvio, risos.
Uma coisa que observo em todas elas. Uma tentativa de harmonia. Nos arquétipos, na astrologia, na bíblia, nos povos originários, nos povos tradicionais, na psicologia, na ciência (com a busca por entender os diversos organismos e com a criação). E o que vejo também é o efeito contrário ao eleger uma supremacia. E o que acho engraçado é que dentro delas já informa que a harmonia vem com o funcionamento de todos os aspectos que compõem aquela cultura, grupo, religião. Informa que excluindo, abafando, cancelando um ou mais de um aspecto o resultado é o adoecimento. Por exemplo, no catolicismo há os 10 mandamentos, na astrologia os 12 signos, mais XX planetas e XX casas, na psicologia também são observados aspectos, cada cultura tem seus rituais que são feitos de forma completa, o próprio corpo humano para ser saudável precisa que todos os órgãos estejam em funcionamento. Se um aspecto não é levado em consideração, se elejo apenas uma parte do corpo para cuidar o corpo inteiro adoece. Inclusive aquela parte que elegi. Acho que uma das perguntas feitas ao longo da história foi a de como viver em harmonia? Acho interessante olhar para todas as respostas que cada geração, que cada realidade deu e trabalhar em cima delas.
E, contribuindo um pouco com esse trabalho, venho lembrar que a exclusão e a supremacia são caminhos extremos. São extremos que vivemos e estamos vivendo e que trouxe e traz guerra, mortes não naturais e não trouxe harmonia (alquimia, equilíbrio, meio).

Jessika de Sousa Macedo

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Kairós

não,
eu não sei o porquê
que ocupou mais espaço interno
que imaginei alguém poder ocupar.
assim.
talvez a psicologia
ou a espiritualidade
ou os karmas
ou sei lá quem ou o
quê
expliquem.
e eu
não tenho conhecimento
de nada disso.
e nessa altura do campeonato
em quê me valeriam
esses dizeres?
essa minha mania de querer
racionalizar tudo.
daqui
somente escuto.
de dentro pra fora
de fora pra dentro.
o que meu corpo diz
o que sinto ao assistir
você se mover
e as circunstâncias
que nos aproxima mais
que o esperado.
só escuto.
escuto o desejo também
e o afirmo.
sim.
te desejo.
sim.
te sinto.
sim.
me interesso.
sim.
te quero parceria.
sim.
brilho ao te saber.
e dentro do lugar que me cabe
escolher.
eu escolho
permanecer.
aqui.
ao teu lado também
ser.

Jessika de Sousa Macedo